Connect with us

News

Advogado que defendeu elevador para a Câmara de Itanhém diz que ‘reuniões têm objetivo mais teatral’

Edelvânio Pinheiro

Publicado

em

Principal crítico da falta de acessibilidade na Câmara de Itanhém e nos demais órgãos públicos da cidade, o advogado Gleigue Porto, procurado pelo Água Preta News, falou sobre a plataforma elevatória que foi instalada na sede do Legislativo Municipal, quando o vereador Ronaldo Correia (PC do B) presidia a Casa do Povo.

Há quase um ano a obra dos sonhos do ex-presidente virou um elefante branco, porque uma placa que custa em torno de R$ 5 mil e que comanda o sistema foi danificada com água de chuva.

Água Preta: O senhor defendeu que fosse instalado um elevador no prédio para que pessoas sem mobilidade e com mobilidade reduzida pudessem participar das reuniões. O aparelho funcionou pouco tempo e, atualmente, sem funcionar, se encontra trancado com um cadeado.

Gleigue Porto: De fato, cobrei dos responsáveis que a Câmara Legislativa, dita casa do povo, pelos próprios vereadores, se enquadrasse na legislação vigente e fizesse as devidas adaptações para uma maior acessibilidade no prédio onde são realizadas as reuniões. Todavia, as cobranças para instalação do elevador se efetivaram na gestão anterior e, realmente, por um tempo o equipamento funcionou adequadamente, proporcionando acesso a todos os cidadãos. Acreditei que o meu objetivo tivesse logrado êxito, na certeza que tudo estava funcionando devidamente.

Água Preta: Há quase um ano o elevador parou de funcionar.

Gleigue Porto: Soube recentemente que o equipamento quebrou e nenhuma atitude por parte das autoridades legislativas foi tomada para recuperá-lo. O fato é que se não houver cobrança constante, os nossos representantes não agem por conta própria. Necessário se faz um constante acompanhamento das atividades dos nossos vereadores, pois eles não conseguem sozinhos enxergar as necessidades da população.

Água Preta: Mas o senhor parou de participar das reuniões.

Gleigue Porto: Reconheço que parei de acompanhar os trabalhos do Legislativo, fiquei desmotivado em participar das reuniões, pois não vislumbrei interesse por parte de alguns vereadores em beneficio da coletividade.

Água Preta: Por que esse desânimo?

Gleigue Porto: Para mim as reuniões têm objetivo mais teatral do que a busca de soluções para as mazelas da sociedade.

Água Preta: O que o senhor quer dizer com “objetivo teatral”?

Gleigue Porto: Ao acompanhar as reuniões da Câmara, percebo que cada representante eleito tenta contundentemente se projetar para ganhar popularidade, polemizando temas desnecessários, transformando suas exposições em verdadeiras “atuações”, nem sempre com interesse coletivo.

Água Preta: Isso desmotiva?

Gleigue Porto: Tudo isso e até atos isolados de alguns vereadores desmotivam a população em participar ativamente das decisões legislativas.

Água Preta: Mas não seria melhor ser ativo na política do que se neutralizar?

Gleigue Porto: Reconheço que como muitos cidadãos eu também falho ao me neutralizar politicamente e não cobrar dos políticos como deveria fazê-lo, mas, me diga quem atualmente se encontra plenamente satisfeito com nossos políticos? Sei que não é justificativa para deixar de acompanhar os trabalhos legislativos, todavia penso que quem foi eleito tem o dever de agir pela população independente de cobranças.

Água Preta: As eleições se aproximam novamente, o senhor consegue visualizar melhores perspectivas no Legislativo e também no Executivo no âmbito da acessibilidade em Itanhém?

Gleigue Porto: Não sou pessimista, sempre acredito que tudo pode melhorar. Apesar de não vislumbrar muita credibilidade na classe política, prefiro acreditar que sempre existem pessoas bem intencionadas que queiram fazer o bem ao próximo, usando os meios políticos como realmente deveriam ser, ou seja, agir como empregado do povo, trabalhando para o bem comum sem colocar os interesses particulares em primeiro plano.

Água Preta: Fazer o bem me fez recordar da APAE.

Gleigue Porto: Acompanho o trabalho dessa instituição em minha cidade e posso dizer, sem dúvida, que fazer o bem a quem precisa não são apenas palavras bonitas, mas uma prática constante naquele meio. Pode parecer um pensamento utópico, mas se perdermos a esperança no ser humano estamos condenando a nós mesmos. Dai, prefiro acreditar que pessoas do bem, como aqueles que fazem funcionar a APAE, são a maioria.