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Após três infartos mulher faz rifa em Itanhém para fazer exames do coração

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A situação de descaso que vive a saúde em Itanhém é uma das mais vergonhosas do extremo sul da Bahia. A cada dia surgem novos casos de cidadãos que denunciam nas redes sociais o desserviço do município numa das áreas mais importantes da municipalidade.

A intensificação na cobrança da população por atendimento médico-hospitalar, especialmente por exames mais complexos e cirurgias, se dá em razão da prefeita Zulma Pinheiro (MDB) ter se apresentado durante a campanha eleitoral como a ‘mãe da saúde’, além de críticas ferrenhas ao gestor anterior sobre a saúde.

Depois de eleita, Zulma Pinheiro e seus irmãos que comandam o município, pouco ou nada fizeram e passaram a ser alvos de críticas, especialmente depois que o único hospital da cidade, que pertence à apoiadores da prefeita, fecharam às portas no início do mandato da atual gestão. Um dos donos do hospital – que depois foi reaberto e atualmente funciona de forma capenga – é o ex-prefeito de Itanhém e secretário da Agricultura, Oséas Moreira. O secretário é encontrado em qualquer unidade de saúde de Itanhém e na região, onde presta serviços médicos, menos na secretaria.

Na manhã desta terça-feira (14), uma mulher que nesses três anos da gestão de Zulma Pinheiro já teve três ataques cardíacos, depois de muito esperar e sem encontrar outra opção, buscou as redes sociais para denunciar a falta de assitência da secretaria de Saúde. O primeiro infarto de Norailde Soares de Oliveira, 48 anos, foi no dia 10 de setembro de 2018, o segundo ocorreu um ano depois e o último há três meses.

Além da denúncia, seguindo o conselho de amigos e familiares, ela anunciou nas redes sociais que está vendendo uma rifa de um quite de perfumes para juntar um dinheiro para tentar fazer o cateterismo, ultrasson e um teste ergométrico.

O ultrasson avalia o funcionamento do coração e o teste serve para entender como o órgão reage a uma atividade física. Já o cateterismo cardíaco é um exame feito para confirmar a presença de obstruções das artérias coronárias ou avaliar o funcionamento das valvas e do músculo cardíaco, para determinar a exata localização da obstrução que está causando o infarto agudo do miocárdio e planejar a melhor estratégia de intervenção cirúrgica.

Norailde mora na Rua Novo Horizonte, nº 151, no bairro São João, com o marido, que trabalha de lavrador. O complemento da renda da família vem do bolsa família: R$ 200.

Ela fazia acompanhamento com médicos especializados em Vitória desde 2013. Mas, para se deslocar à capital do Espírito Santos necessitava do apoio do poder público para transporte e alimentação. Na gestão da prefeita Zulma Pinheiro, de acordo com Norailde, a assistência foi negada.

“Cheguei na secretaria com exame já marcado em Vitória com cardiologista e neurologista. Na administração de Bentivi eu fiz o TFD,  depois desse novo mandato eu perdi todos os exames e as minhas consultas com os médicos bons de lá porque eles não liberavam mais minhas passagens”, explicou.

TFD significa Tratamento Fora do Domicilio e é uma garantia constitucional ao acesso universal e integral à saúde a todos os cidadãos brasileiros, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma portaria do Governo Federal estabelece o fornecimento de passagens para atendimento médico especializado de diagnose, terapia ou cirúrgico em alta complexidade, a ser prestado a pacientes atendidos exclusivamente pelo SUS, em outros Estados, além de ajuda de custo para alimentação e pernoite de pacientes e acompanhantes, quando necessário.

“Se eu dependesse de exame no primeiro infarto que dei eu tinha morrido porque a secretaria não quis liberar e pegou minha pasta do TFD e [disseram] que se eu quisesse procurar a Justiça que pudesse procurar”, lamentou Norailde. “Eu só tenho Deus, minhas duas filhas e meu marido, o bolsa família e os amigos, não tenho condições de pagar esta cirurgia”, enfatizou. “Se depender do meu dinheiro e do dinheiro do meu esposo já sabe que eu morro logo, pois a secretaria não libera meus exames, minha cirurgia e desde o primeiro infarto que dei que estou com o pedido na secretaria e eles nunca liberaram”, completou. “Mas eu sigo um Deus verdadeiro, por isso acredito que vou conseguir fazer esta cirurgia em nome de Jesus Cristo”, concluiu com os olhos da fé.

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