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Arraiá do Água Preta: a judiação e a insensibilidade da filha de Neco Batista

Edelvânio Pinheiro

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A prefeita de Itanhém não acha importante dar visibilidade aos projetos sociais que seguiam com eficiência e responsabilidade na gestão de Milton Ferreira Guimarães, o Bentivi. Contrariando a própria alegação de que o município está em crise, razão pela qual serviços públicos essenciais estão praticamente esquecidos, Zulma Pinheiro insiste em andar na contramão do tempo e realiza os festejos juninos, para alimentar a velha política do pão e circo, tão bem praticada pelo seu pai, Neco Batista, quando foi prefeito de Itanhém em duas ocasiões.

A administração do município segue de costas para instituições itanheenses que sempre trabalharam com o objetivo de transformar a realidade de inúmeras famílias carentes das terras de Água Preta. A voz das crianças dos projetos ABC do Ó e AABB Comunidade, por exemplo, foi emudecida pela prefeita Zulma Pinheiro e seus irmãos que mandam (e desmandam) na administração municipal. Até agora, desse povo, o projeto recebeu apenas o desprezo como aplauso e o silêncio como resposta às suas necessidades básicas.

O ABC do Ó ainda toca em frente como pode, graças à ajuda de pessoas que são solidárias a um canto tão bonito que não pode se calar e nem se sucumbir diante da insensibilidade da Família Pinheiro que, irresponsavelmente, administra para uns e nunca para todos. São muitos os que ajudam o projeto e entre os anônimos, que não fazem nenhuma questão da notoriedade, estão o juiz de direito Argenildo Fernandes, a advogada Kerry Anne Esteves e o vereador André Correia.

Nos festejos juninos, uma dupla conhecida nacionalmente, considerada uma das pioneiras do estilo sertanejo universitário no Brasil, vai se apresentar no Arraiá do Água Preta. Além disso, haverá gastos com outros artistas e com a megaestrutura contratada para montar o cenário do evento.

Em outras cidades baianas, que têm tradição em festas de São João, ao contrário, o bom senso teve prioridade por conta da crise que, inegavelmente atinge o país e as comemorações juninas, pelo menos oficialmente, foram canceladas.

Durante os três dias de festa no Mercadão Municipal, quem sabe alguns dos meninos dos projetos ABC do Ó e AABB Comunidade e até garotos que fazem parte do “coral da fome da merenda escolar” estarão por lá, admirando os artistas tão bem pagos e imaginando como seria estarem no palco, apresentando “Asa Branca” para o povo de Itanhém ver e ouvir. Para eles, pessoas comuns na multidão, seria como ganhar a Copa do Mundo e esse momento, sem nenhuma dúvida, contribuiria para permitir que todos sonhassem com um futuro melhor.

Mas a verdade é que eles jamais serão vistos no palco de Zulma Pinheiro que, juntamente com seus irmãos, nasceram em um berço que tinha tudo, menos humildade e solidariedade. Se depender da prefeita, as crianças do ABC do Ó e da ABB Comunidade nunca terão a oportunidade de cantar nem de coreografar a própria história.

Quem já ouviu alguma apresentação desses garotos sabe a judiação que é mantê-los à margem da oportunidade e quanto dói na alma a insensibilidade da filha de Neco Batista. [Crônica de Edelvânio Pinheiro]

OUÇA a crônica na voz de Jan Santos, uma das mais belas vozes do Brasil. O fundo musical é “Asa Branca”, de Umberto Teixeira e Luiz Gonzaga, interpretada pelo coral do projeto ABC do Ó.

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