Connect with us

Destaque HOME

Branca é um auto-falante que tem a coragem de defender os necessitados

Edelvânio Pinheiro

Publicado

em

Compartilhe

“Branca Bocão”.

Foi assim que minha amada prima Eliete foi identificada nas redes sociais por um cidadão, cuja insensibilidade é do conhecimento de todos à sua volta, pois mesmo o destino tendo lhe pregado a maior de todas as peças, pelo que se pode depreender, a arrogância ainda lhe é imperiosa em quase todas suas ações e atitudes.

Mas este cidadão deve ter razões muito óbvias, bem particulares para agredir a minha prima, que apenas e tão somente exerce o seu direito constitucional de manifestação de pensamento e à crítica quando aborda a forma emporcalhada que a atual gestão conduz a municipalidade em Itanhém.

Embora traga consigo o sobrenome Pinheiro, Branca tem vergonha na cara e a honradez de nunca ter roubado nada de ninguém, a coragem de lutar pelas causas mais nobres da sociedade e a sensibilidade de abraçar e chorar as dores dos mais necessitados.

Assim como os guerreiros da frente da batalha como Carlinhos, Ronivon e tantos e quantos outros e outras, que nunca se calaram diante das injustiças sociais, Branca é em Itanhém um auto-falante que reproduz o eco da fome, da dor, da mulher com câncer que não recebe a assistência que a lei lhe assegura, da senhora que incansavelmente lutou em busca de uma cirurgia e, de tanto esperar, perdeu para sempre a visão e da criança que não anda e não tem um carrinho de bebê para facilitar a sua locomoção. Branca, como esses demais é a lamentação da falta de esporte, da falta de estradas, é o desespero dos empresários vendo seus comércios fechando as portas, é o choro do pai de família que foi iludido com a promessa de emprego e de uma casinha para abrigar seus filhos e a decepção do aluno que não tem transporte para chegar à escola. Branca, como centenas e milhares de outras pessoas do bem é a camisa que se veste e sai nas ruas gritando que o Hospital Maria Moreira Lisboa é nosso e que precisa ser reaberto urgentemente para que outros Geremias e Josafás tenham pelo menos a chance de fazer o sangue pulsar no coração novamente.

E é bom que se registre que “Branca Bocão” não tem nenhum interesse político, ao contrário do que um ou outro possa eventualmente imaginar. Na verdade, a sua bondade e coragem estonteantes vieram lá do Vale do Jequitinhonha e têm origem no meu tio Carmindo Pinheiro e na minha mãe Maria Pinheiro, que nunca correram quando um cachorro qualquer da vida – fila brasileiro ou pequinês – rosnou ou latiu com o intuito de intimidá-los. Aliás, a grama do lado de cá sempre foi verde, resistente e muito bem protegida, caso alguém duvide é só pular a cerca.