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Com vocês a “quinta”, nova forma poética criada por Andreia Donadon Leal

Edelvânio Pinheiro

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A “quinta” se inscreve na categoria daquelas formas poéticas breves e minimalistas, como o haicai, o poema-piada, a trova e a aldravia.

A quinta e a aldravia, aliás, têm algo mais em comum do que a semelhança formal e rítmica: ambas foram criadas pela mesmíssima pessoa: Andreia Donadon Leal.

Estamos falando da poeta, ficcionista, artista plástica e agitadora cultural mineira que, à frente do Movimento Aldravista, pode ser considerada como a grande novidade da arte brasileira na última década. Afinal, Andreia e seus parceiros apresentaram o aldravismo que – viabilizado artística e graficamente por meio da prosa, do verso e da pintura – foi irradiado de Mariana/MG para os demais estados brasileiros e para o mundo, já que é cultivado por artistas na América, na Europa e até na Ásia.

Para celebrar os vinte anos do Movimento Aldravista e dos dez anos da Aldravia, que ganharam o Brasil e o mundo graças à Aldrava Letras e Artes e Aldrava Cultural, editora e jornal, Andreia surpreendeu a todos com a quinta.

“Quinta: 4 primeiros versos de 2 vocábulos; 5º, univocabular. O segundo verso rima com o último”, postou a poeta na noite de 29 de dezembro de 2019 na rede social Facebook, dando todos os detalhes da sua mais nova criação.

Claro que as explicações vinham ilustradas com a 1ª quinta donadoniana: “Infância adorada / ternas crianças / sobrinhos faceiros / ativam doces / lembranças!”

“Assim Deia fechou o ano de 2019 com chave de ouro, ou melhor, com a quinta do ouro”, afirmou Almir Zarfeg ao portal, elogiando a iniciativa e, ao mesmo tempo, referindo-se ao tributo cobrado pela coroa portuguesa sobre o ouro extraído e registrado nas casas de fundição, na segunda metade do século XVII, no Brasil Colônia. Como equivalia a 20% do metal, ficou conhecido como “um quinto”.

Zarfeg sugere até que Andreia pode ter buscado inspiração na história para batizar a nova forma poética, mas, “independente disso, a novidade poética se sustenta nos planos do sentido e da expressão”. Por isso, é um sucesso e a adesão continua intensa entre os poetas.

Andreia Donadon providenciou o Grupo dos Quintanistas no Facebook, do qual já fazem parte mais de 200 membros, entre poetas e entusiastas da nova sensação poética deste verão: a quinta, criada em 23 de dezembro de 2019.

Zarfeg estreou em 1º de janeiro e não parou mais, produzindo uma média de duas quintas por dia. Até o final do mês, ele terá escrito 31 quintas… e tantas.

“Gostei da novidade à primeira vista e em seguida produzi o poema nestes termos: ‘ano novo / um amor / uma mata / com Jano / provedor!’”, informou o poeta que, em 2019, ficou entre os finalistas do 1º Concurso Internacional de Aldravias da ALACIB.

Mais uma vez, Andreia Donadon Leal faz história criando, inovando e, sobretudo, popularizando a literatura entre todos os públicos, idades e gostos.

“A quinta é maior que a aldravia e menor que a trova, mas, no fundo, é mesmo uma delícia”, finalizou Zarfeg, convidando a todos a quintanar ou quintanear, que o prazer será sempre o mesmo.

Foto de Capa: Andreia Donadon Leal, criadora da quinta