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Com vocês “Selma”, conto de Toni Ramos, vencedor do Prêmio Febacla de Criação 2018

Edelvânio Pinheiro

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“Selma”, de Toni Ramos, levou o 1º lugar na categoria prosa do Prêmio Febacla de Criação em Verso e Prosa 2018.

O certame literário – fruto da parceria da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA) com a Academia Teixeirense de Letras (ATL) – segue com as inscrições abertas, até 31 de agosto de 2019, para a 2ª edição. Mais informações aqui.

Nada mais justo que “Selma” levasse o primeiríssimo lugar, porque a história é boa e Toni conduz a narrativa com habilidade. O resultado é um texto leve, sugestivo e gostoso de ler.

Mais uma vez, Toni se atém às relações amorosas com foco nas decepções, fracassos e desencontros, propondo uma análise sutil, detalhista e empática que os leitores, bons ou maus, deveriam apreciar. Os jurados amaram.

Digo isso porque o tom é quase visual, mas não linear ou gratuito, como se assemelhasse a uma crônica de costume ou uma pintura de gênero. Se, por um lado, as personagens são planas, por outro lado, o autor consegue explorar tão bem a emoção delas para entregar tudo, lindinho, à apreciação pública.

No conto em questão, a protagonista é objeto do desejo do cunhado que, para se insinuar, brinda o sobrinho, Juninho, com passeios pelos parques da cidade. O rapaz ainda não se declarou à mãe, mas irá fazê-lo na primeira oportunidade, mesmo que entre ambos exista uma barreira imposta pelo irmão e marido que, no momento, está em viagem…

Decerto que Selma sabe de tudo ou, pelo menos, desconfia das segundas intenções do cunhado apaixonado. Por isso, dá corda ao jogo de insinuações que, ao mesmo tempo, estimula e frustra o pobre rapaz.

A menos que a narrativa seja estendida, como pretende o autor, não saberemos que placar terá esse jogo de flertes. Tomara que haja pelos menos um gol de placa. Um empate decente estaria de bom tamanho. Mas o excesso de vírgulas, como a insegurança moral, sempre entrava. Isso vale também para a indecisão lexical.

Não importa se curta, mediana ou extensa, a narrativa precisa fluir. Fluência, no verso ou na prosa, é condição sine qua non. O protagonista pode ser plano, mas a história precisa descer redondo, como um comercial de cerveja. Eis a moral da história.

O leitor poderá ler o conto, na integra, acessando o Blog do Toni Ramos Gonçalves.

[Almir Zarfeg]

FOTO: Toni Ramos, ganhador do Prêmio Fabacla de Criação 2018.