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Como a genética tem parte na culpa dos seus desejos por doces

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[ Erica Sweeney /MSN] Quando era criança, minha irmã gostava de comer o sal que sobrava nos pacotes de salgadinhos. Ela ainda prefere salgados, assim como o filho dela, de 3 anos. Já eu sempre fui fã de doces, como nosso pai.

Diante dessas preferências diferentes por doces ou salgados na nossa família, uma pergunta curiosa se impõe: será que a genética influencia nossas preferências por certos alimentos? Um número cada vez maior de pesquisas sugere uma possível ligação.

Nanette Steinle, professora associado de medicina da Universidade de Maryland e chefe do setor de diabetes do Maryland Veterans Affairs Medical Center, estudou a relação entre a genética e a preferência por sabores.

“Existem receptores específicos que regulam o gosto salgado e o gosto doce”, diz ela. “Não existem estudos grandes e robustos investigando essa questão, mas os que estão disponíveis sugerem que possa haver um componente genético para as preferências por salgado, doce, amargo.”

Steinle foi co-autora de Genetics of Eating Behavior: Established and Emerging Concepts (a genética do comportamento alimentar: conceitos estabelecidos e emergentes), estudo de 2011 que examinou o papel da genética nos cinco sabores: doce, amargo, salgado, azedo e umami. O estudo identificou alguns genes que podem influenciar preferências por alimentos doces e umami, e outros associados a receptores de sabores amargos. Também existem proteínas que regular a absorção de sal e água no organismo e estão associadas à preferência por sal, diz ela.

Muitos pesquisadores acreditam que, além dos receptores, muitos outros fatores afetados pela genética – incluindo índice de massa corpora, metabolismo, o centro de recompensas do cérebro e os hormônios envolvidos nas sensações de fome e saciedade – podem influenciar os desejos por determinadas comidas. Mas os especialistas em saúde e nutrição alertam que preferências influenciadas por fatores genéticos não devem ser consideradas desculpas para uma alimentação de má qualidade.

Os marcadores genéticos associados a preferências por doces e salgados

Cientistas da 23andMe, uma empresa que vende testes de DNA para consumidores, identificaram 43 marcadores genéticos cujas variantes podem indicar preferências por comidas doces ou salgadas, diz Janie Shelton, cientista-sênior da área de coleta de dados da companhia. A 23andMe oferece um teste para que as pessoas saibam se sua genética pode ser associada a preferências por doces, salgados e outros tipos de comida.

“O fator genético que seria associado à preferência por doces está ligado aos genes associados com metabolismo e índice de massa corporal”, diz Shelton. A preferência por certos tipos de alimentos e como eles são metabolizados podem ser associados ao peso e a uma tendência à obesidade.

Em comparação, outras preferências alimentares, como certos sabores de sorvete, são associadas a genes do senso de olfato. Hábitos alimentares e traços de personalidade, como o mau humor que acompanha a fome, teriam relação com genes associados a doenças mentais e características de personalidade, afirma ela.

“Se você prefere doces, pode ter tendência a alimentos de maior densidade calórica, diz Shelton. “Em termos evolutivos, isso teria nos ajudado a sobreviver. Em relação ao sal, há um caminho metabólico completamente diferente, que tem a ver com o processamento do sal nos rins e a metabolização de diferentes minerais pelo organismo.

Diversos genes são associados à preferência por sal ou açúcar, e eles também afetam o metabolismo dos alimentos e a tendência à obesidade. Um deles é o “famoso gene FTO”, também conhecido como “o gene da obesidade”, diz Shelton. As pesquisas da 23andMe também revelaram que pessoas com certos genótipos têm maior propensão a preferir comidas salgadas ou doces.

Pessoas com uma certa variante do gene FGF21, associado à regulação de alimentos, tinham 20% mais probabilidade de preferir alimentos doces, segundo um estudo separado da Universidade de Copenhague publicado na revista Cell Metabolism.

Segundo dados da 23andMe, 24% das mulheres provavelmente preferem os doces aos salgados, em comparação com apenas 2,6% dos homens. A geografia também é uma variável: os moradores do estado do Oregon têm maior propensão a comer doces em comparação com outras áreas dos Estados Unidos, com base nos genes, e os habitantes do Maine e do Havaí têm queda pelos salgados. 

Mas, em termos genéticos, as preferências por doce ou salgado não são como “preto ou branco”, afirma Shelton.

“Estamos dizendo que as pessoas com essas variações genéticas podem ter maior propensão a preferir comidas salgadas”, diz ela. “Mas isso não quer dizer que elas não vão comer um pedaço de bolo. O número de mudanças no genoma que te colocaria de um lado ou do outro é bem pequeno. Criamos essas categorias com base nessas 43 variantes, então você pode estar no meio, onde 45% pessoas com uma genética similar à sua prefere doces e 55% prefere salgados. Se você estiver numa área tipo 90% contra 10%, talvez seja mais fácil prever sua preferência de acordo com a genética.”

Desejos de doces e salgados são associados?

A maneira como o organismo processa e responde a sal e açúcar pode afetar os desejos que sentimos, e James DiNicolantonio – pesquisador de saúde cardiovascular do Saint Luke’s Mid America Heart Institute, de Kansas City, e editor associado da Open Heart, do British Medical Journal – diz que provavelmente existe uma conexão entre desejos por salgados e doces.

A falta de sal pode causar hiperatividade no centro de recompensas do cérebro, aumentando os desejos por salgados e doces. Algumas pessoas podem ser geneticamente predispostas a sentir-se mais recompensadas pelo consumo de sal ou açúcar, diz DiNicolantonio, autor de The Salt Fix (a dose de sal, em tradução livre).

organismo precisa de sal, pois ele é composto de minerais essenciais que não são produzidos pelo nosso corpo. Mas o organismo é capaz de criar glucose – açúcar – com gordura e proteínas, então não precisamos de consumi-las de fontes externas. O açúcar refinado oferece uma recompensa ainda mais intensa, e pode ser mais viciante, aumentando o desejo por doces.

Rins saudáveis regulam o nível de sal na corrente sanguínea. Ainda assim, DiNicolantonio recomenda prestar atenção aos desejos de comer algo salgado, pois eles podem sinalizar uma deficiência de sal.

“Para a maioria das pessoas, um desejo por comida salgadas é muito similar à sede, que sinaliza a necessidade de água”, afirma ele. “O motivo pelo qual recomenda-se uma dieta com pouco sal é que, para algumas pessoas, ela pode baixar um pouco a pressão arterial, mas não consumir água em quantidades suficientes também pode baixar a pressão. Às vezes, quem tem deficiência de sais minerais, como atletas, bebem água demais, e alguns podem ficar hidratados demais, baixando a concentração de sódio no sangue.”

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças afirmam, entretanto, que a maioria dos americanos “consome mais sódio do que deveria –mais de 3 400 mg por dia, em média”. Para a maioria dos adultos, a dose recomendada é de 2 300 mg por dia, o que equivale a uma colher de chá de sal. E menos de 10% das calorias deveriam vir de açúcares adicionados, segundo as diretrizes nutricionais do governo americano. A Associação Americana do Coração recomenda uma dieta baixa em sódio, idealmente 1.500 mg diários.

A genética não serve de desculpa para uma alimentação ruim

Quando se trata de desejos de comida, é difícil separar a influência da genética e do ambiente dos hábitos alimentares adquiridos ao longo da vida, diz Sonya Angelone, porta-voz da Academia de Nutrição e Dietética.

Mas ela concorda que existe um componente genético. Como Shelton, da 23andMe, ela afirma que o gene FTO tem um papel chave nos desejos, pois ele afeta os níveis dos hormônios grelina, que ajuda as pessoas a sentir fome, e leptina, responsável pela saciedade. Outros genes importantes na regulação do apetite podem interferir na sensação saciedade, afirma ela.

“Há muitos fatores envolvidos”, diz Angelone. “É difícil definir o que é fome, o que é desejo e o que é simplesmente um hábito ruim. Tem a ver com o centro de recompensas do cérebro e o que é disparado quando você come certos alimentos. É bem complexo.”

O desejo por certos sabores muitas vezes pode ser relacionado a hábitos. “Depois do jantar, por exemplo, quero um doce, ou um café. As pessoas acham que é psicológico, mas não é, necessariamente. Elas simplesmente se condicionaram a sentir desejo por um doce depois do jantar.”

Hábitos alimentares são complexos. Além da genética e do ambiente, falta de sono, deficiência de nutrientes, dieta de má qualidade, hipoglicemia, desidratação e estresse também podem contribuir para os desejos, diz Angelone. Raramente um único fator é responsável. As pessoas têm de entender o que provocar os desejos de certas comidas e como lidar com eles. E, é claro, não há problema nenhum em ceder às vontades de vez em quando.

“A ideia da alimentação perfeita, nem sei do que estão falando”, diz Angelone. “Isso quer dizer que não podemos comer doces nunca? Claro que podemos. Mas o que digo para as pessoas é usar o verbo ‘administrar’. Administre seus desejos.”

A genética pode significar predisposição a desejos por salgados ou doces, mas mudanças no estilo de vida ajudam a mantê-los sob controle.

“Você pode botar a culpa na genética, mas podemos dizer: ‘Será que isso é saudável?’ e então modificar esses comportamentos”, afirma Steinle. “Somos inteligentes. Se você ama batata frita, pode mudar seus hábitos alimentares. É simplesmente questão de querer.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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Amores sofredores conduzidos por dependência emocional afetiva: ressignifique a sua forma de amar!

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Quem nunca sofreu uma dor de amor? Quem nunca jurou nunca mais amar? Quem nunca “pagou a própria língua” quando se viu, no momento seguinte, em outro relacionamento, sofrendo, novamente, por amor. Quem nunca?

Somos seres de apego e nossa necessidade fundamental é ser reconhecidos, amados, desejados, olhados pelo outro. A nossa alma busca por amor, sendo assim, em algum momento da vida, o nosso coração irá se machucar. Só não sofre quem não ama!

Todos nós temos o direito de lutar pela nossa felicidade, não existe um limite de tentativas. Se sua alma anseia em ser feliz, não se importe com os julgamentos alheios, vá em frente, lute pelo amor quantas vezes tiver vontade e disposição para amar!

No entanto, em nome do “amor”, nunca sabote os princípios que orquestram sua vida, não negue e não negligencie seus valores, aqueles que constituem sua essência humana.

Caso você se anular num relacionamento ou tentar se enganar, para meramente fazer a vontade do “ser amado”, seu eu gritará por socorro para que se liberte de dentro de si mesmo(a).

Quando você permite que o outro o machuque constantemente, alguma coisa está muito errada em você! Atrevo-me a falar que, se existir em sua vida um relacionamento assim, não é amor!

Talvez, seja uma relação de dependência emocional afetiva, por alguma razão que você próprio(a) desconhece, ou até mesmo conhece. Quem sabe você aja assim, portanto, uma coisa levou a outra.

Bem, vou explicar, talvez você esteja carregando o peso de algumas carências de infância, carências passadas ou de outros relacionamentos, ou, quem sabe, do atual relacionamento, carências que crescem e se tornam permanentes.

Carência não é o mesmo que dependência. A carência pode ser um estado emocional passageiro conforme citei, todavia, quando se torna constante, poderá originar um quadro de dependência emocional afetiva, tendo como consequência uma doença do amor.

E quantas pessoas hoje se encontram num relacionamento adoentado? Pessoas que possuem essas características são regidas por medo, baixa estima, insegurança, e lá, bem no íntimo de cada uma, nutrem crenças limitantes, avaliam não serem merecedoras de um amor maior e verdadeiro.

Se você tiver um “amor” assim, recomendo uma análise de sua vida e até mesmo ajuda profissional.

Num relacionamento amoroso as duas partes precisam se doar e se esforçar para um fazer o outro feliz. Amar sozinho não vale a pena! Ame a si mesmo, amor-próprio primeiro! Se você fizer isso, deixará bem claro para a outra pessoa o quanto você é especial, e como uma pessoa especial, na relação a dois, igualmente, você merece respeito e cuidado!

Pergunto: quem é que já foi “escravo do amor, em nome do amor”? Quem é escravo do amor? Amor não escraviza ninguém! Que tremenda contradição, não é mesmo? Quando você transfere seu “amor” exclusivamente para a vida de outra pessoa, você nega a oportunidade de ser feliz.

O que acontece com relacionamentos doentios?

Acontece assim: “A minha felicidade depende dele(a), nada tem valor se ele(a) não me quiser.” Engano seu, o outro não é totalmente responsável pela sua felicidade. São relacionamentos fragilizados, onde existe passividade excessiva de uma pessoa, e esta cede sempre, por medo de ser deixado(a).

Amor não cresce num ambiente ameaçador, onde só um tem voz e o outro diz “amém”.

Uma relação baseada no desgaste frequente devido à submissão pode levar ao adoecimento emocional e físico. É comum pessoas serem acometidas por depressão por pertencer a uma ligação desse nível.

O amor requer reciprocidade, conforme já mencionei no outro artigo. Então, não se coloque em segundo plano, a única pessoa que pode defender você é você mesmo(a). Verbalize ao outro o que o deixa triste e o que o alegra, fale com segurança dos seus sentimentos. Quando lhe ferirem, você possui o direito de falar!

“Hoje me senti constrangida diante do que você fez, fui ferida na frente daquelas pessoas, espero que você me entenda e mude suas atitudes…”

Existem pessoas que preferem continuar se enganando e adiando a felicidade, funciona mais ou menos assim: “Deixa para lá! Ficarei mais um ou dois anos assim, depois eu vejo, qual vai ser a decisão que tomarei a respeito desse relacionamento…”

A pergunta é: quem lhe garante que daqui um ou dois anos, você estará aqui? Você quer acreditar nisso, eu também!  Porém, a oportunidade de ser feliz é agora. Lute pela sua felicidade HOJE, o amanhã é incerto!

Já diz a letra da música de Ana Vilela: “A vida é trem bala, parceiro, a gente é só passageiro prestes a partir…”

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“Pequeno Príncipe”: alimente a criança que há em você!

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O Salvador pediu: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos Céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas.”

À medida em que você avançar na idade, pois o tempo não perdoa, mantenha a criança que há em você. Não permita que ela morra ou desfaleça. É com essa criança que o Criador pretende manter o seu elo eterno. O Salvador pediu: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos Céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas.”

Assim, por mais cruel que o mundo possa ser, é essencial que você se vista do “Pequeno Príncipe” que reside no seu íntimo. É primordial que cada ser humano, mantenha e alimente essa criança, pois é esta que poderá acalentar o furor desse mundo em descompasso.

Seja criança, seja o “Pequeno Príncipe”! Tenha intenção pura com os seus semelhantes. Não almeje nada em retribuição pelos seus atos de caridade. Viva de forma leve. Não leve tudo a ferro e fogo. Não seja tão sério, tão rigoroso, nem consigo e nem com outrem. A vida avança, demasiadamente, a passos largos, ao seu término e não vale que sejamos tão rigorosos com quem não foi rigoroso conosco, pelo contrário, por amor, cedeu-nos, em profundo sofrimento, a vida Dele!

Seja o “Pequeno Príncipe” no seu convívio diário, no relacionamento com os seus pais, permitindo que estes possam vivenciar um pouco o convívio com as “eternas crianças” deles; seja o “Pequeno Príncipe” com seus irmãos, com seus amigos enfim, e também com o mundo decaído que tenta lhe derrubar, pois ele necessita de sua mão para se reerguer, contudo, não se deixe enganar.

Seja o “Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupery, que nos ensinou que “todas as pessoas grandes foram um dia, crianças, mas poucas se lembram disso.”

Não permita que a criança que há em você, adoeça e até faleça; torne o sorriso e as brincadeiras um hábito diário; seja mais solto; permita-se ter asas; continue sonhando; procure se desconectar dos problemas o máximo que puder e seja feliz!

A felicidade,aos olhos de uma criança, pode ser uma constante, exceto em alguns pequenos momentos de normal infelicidade; constante poderá ser, pois a criança vê graça no mais simples e até no invisível aos olhos, mas essencial à vida, como também nos ensinou o “Pequeno Príncipe”.

A criança pode sorrir ao sentir o vento, inacessível aos olhos, acariciando o rosto dela; ao perceber que o mar corre ao encontro dela, mas que também segue em sentido contrário, como se em fuga estivesse; ao olhar a tempestade que anuncia a vinda do magnífico arco-íris de cores singulares que se misturam entre si, que param olhares de admiração e que nos ensinam que não devemos temer tempestades, pois o arco-íris nos espera doutro lado; também deveremos ter paciência com o desenvolver das larvas, pois poderemos ter a oportunidade de apreciar a beleza das borboletas.

Seja o “Pequeno Príncipe” e sorria com as manobras intermináveis da Mãe Natureza, por vezes tão sutis e lentas, como o desenvolvimento de uma flor; por vezes, tão céleres e visíveis, como a onda que se quebra em bom e alto som!

Divirta-se com a simplicidade, assim como uma criança! Seja o “Pequeno Príncipe”!


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Por unanimidade, Sexta Turma do STJ decide libertar ex-presidente Michel Temer

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[ Por Luiz Felipe Barbiéri, Mariana Oliveira e Mateus Rodrigues, G1 e TV Globo — Brasília]

Por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu liminarmente (provisoriamente) conceder habeas corpus e libertar o ex-presidente Michel Temer, preso na sede do Comando de Policiamento de Choque, da Polícia Militar, em São Paulo.

Os quatro ministros que votaram (Antônio Saldanha, Laurita Vaz, Rogério Schietti e Néfi Cordeiro) se manifestaram favoravelmente à libertação de Temer e do coronel João Baptista Lima Filho, ex-assessor e amigo pessoal do ex-presidente – outro integrante da turma, o ministro Sebastião Reis Junior se declarou impedido e não participou da sessão.

Com a decisão, Temer e Lima permanecem em liberdade pelo menos até o julgamento definitivo do mérito do habeas corpus, pela própria Sexta Turma, em data ainda não definida.

Os ministros que votaram na sessão desta terça se manifestaram pela substituição da prisão pelas seguintes medidas cautelares:

  • proibição de manter contato com outros investigados;
  • proibição de mudança de endereço e de se ausentar do país;
  • entregar o passaporte;
  • bloqueio dos bens até o limite de sua responsabilidade;
  • não contato com pessoas jurídicas relacionadas ao processo;
  • proibição de exercer funções de direção em órgãos partidários.

Temer e Lima são réus por corrupção, lavagem de dinheiro e peculato em uma ação penal que tramita no Rio de Janeiro e apura supostos desvios na construção da Usina Angra 3, operada pela Eletronuclear.

Os votos dos ministros

Antônio Saldanha – “Conquanto fundamentada, carece a prisão preventiva de necessidade”, afirmou ao votar o relator, ministro Antônio Saldanha.

Para Saldanha, “há de se exigir assim que o decreto de prisão preventiva venha sempre motivado e não fundado em meras conjecturas”.

O relator considerou que não há elementos que indiquem que Temer e Lima podem prejudicar as investigações. E afirmou que, por isso, os dois podem responder ao processo em liberdade.

Em seu voto, Saldanha destacou que os fatos sobre ambos são antigos e que Temer não tem mais cargo público para prejudicar o andamento da apuração.

“Frisa-se que além de razoavelmente antigos os fatos, o prestígio político não mais persiste, visto que o paciente Michel Temer deixou a Presidência da República no início desse ano e não exerce atualmente cargo público de destaque ou relevância nacional”, disse.

Saldanha considerou ainda que a “justa causa” que motivou o decreto de prisão preventiva de Temer e Lima foi formada especialmente pelas declaração de um delator premiado, o que não seria suficiente.

“A simples declaração acusatória, de pretenso colaborador da justiça, não pode ter ainda nenhum efeito de restrição sobre os direitos do acusado”, afirmou o ministro.

“Essa restrição cautelar à liberdade ainda requer a presença de prova de existência do crime e indícios suficientes de autoria. Ocorre que a declaração do agente colaborador, por ocasião de celebração do acordo, não constitui tecnicamente esse requisito, não é prova e nem sequer um indício”, declarou Saldanha.

Laurita Vaz – Em seu voto, a ministra Laurita Vaz disse que a Corte deve se manter “firme” no combate à corrupção, mas que isso não pode se tornar uma caça às bruxas.

“Sem dúvida, não há outro caminho. O Brasil precisa ser passado a limpo e o Poder Judiciário possui importante papel nessa luta com isenção e austeridade. No entanto essa luta não pode ser transformar em caças as bruxas”, disse Laurita.

A ministra ressaltou que “para se considerar necessária prisão para garantia da ordem pública, a potencial ação delituosa deve denotar risco atual, não sendo bastante indicar supostas fraudes, já há muito concluídas sem nenhuma possibilidade de repetição de crimes na mesma espécie”. Segundo ela, “a despeito da gravidade, a existência de autoria, não há razão para impor prisão preventiva”, afirmou Laurita.

Rogério Schietti – O ministro Rogério Schietti deu o terceiro voto favorável à soltura de Temer. O magistrado afirmou que em nenhum momento a autoridade judiciária fez menção a fatos atribuídos a Temer que estariam voltados a atrapalhar as investigações.

“Penso que a análise da gravidade do crime, bem como as condições pessoais do paciente, autorizam (…) a conclusão ainda que provisória, porque estamos a julgar uma liminar, de suficiência de medidas alternativas à prisão preventiva”, afirmou Schietti.

O ministro destacou em seu voto que Temer tem 78 anos, é professor universitário e ex-presidente da República.

“O réu possui residência fixa, não há notícia de tentativa de fuga. Nos outros processos, não foi decretada prisão em cautelar, nem mesmo em janeiro deste ano, em processo que se poderia fazer isso, no Supremo Tribunal Federal, por fatos mais recentes. Demonstrou, mesmo após a decretação da prisão, respeito às instituições. Não interferiu, apresentou-se espontaneamente em juízo, e vem-se mantendo sereno e colaborativo nos processos”, disse Schietti.

O ministro sustentou que Temer está afastado das suas funções e não possui as mesmas facilidades para interferir na administração pública. “[A liberdade] não representa atestado de inocência ou chancela judicial pelas eventuais ilicitudes que tenha cometido”, declarou o ministro.

Nefi Cordeiro – O presidente da Turma, Néfi Cordeiro, foi o último a votar e também se manifestou pela soltura de Temer e Lima. Ele afirmou que colocar um réu em liberdade durante o processo não é impunidade, mas garantia.

Para Cordeiro, não se pode prender hoje, porque o risco de cometer delitos é antigo. O ministro lembrou que os últimos fatos imputados a ao ex-presidente no processo são de 2015. “Quatro anos após, sem mais desempenho de função pública não se justifica riscos de reiteração”, afirmou.

“Pelo mais relevante fato criminoso, merecerá aquele que vier a ser condenado a mais gravosa pena. Mas isso não lhe impede de responder ao processo em liberdade, com presunção de inocência”, declarou Néfi.

Segundo o ministro, “não se pode durante o processo prender pela gravidade abstrata do crime. Não se pode prender porque os fatos são revoltantes, porque o acusado é estrangeiro, rico ou influente. Não se pode durante o processo prender como resposta a desejos sociais”.

Quais são as investigações?

Temer é suspeito de liderar uma organização criminosa que, segundo o Ministério Público, teria negociado propina nas obras da usina nuclear de Angra 3, operada pela Eletronuclear. Lima e o o ex-presidente é acusado de ter cometido os crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

A Operação Descontaminação teve como base a delação premiada de José Antunes Sobrinho, dono da empresa Engevix.

O empresário disse à PF que pagou R$ 1 milhão em propina, a pedido do coronel Lima, do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento de Temer.

Segundo o MPF, propinas ao grupo de Temer somaram R$ 1,8 bilhão e incluem diversos crimes cometidos em órgãos públicos e empresas estatais.

O que argumentam as defesas?

A defesa de Temer afirma que o ex-presidente nunca praticou nenhum dos crimes narrados e que as acusações insistem em versões fantasiosas, como a de que Temer teria ingerência nos negócios realizados por empresa que nunca lhe pertenceu.

“Michel Temer não recebeu nenhum tipo de vantagem indevida, seja originária de contratação da Eletronuclear, seja originária de qualquer outra operação envolvendo órgãos públicos. Por isso, nunca poderia ter praticado lavagem de dinheiro ilícito, que nunca lhe foi destinado”, sustentam os advogados.

Cristiano Benzota, advogado de coronel Lima, classifica a ordem de prisão como “desnecessária e desarrazoada”.

“Chama a atenção o fato de a própria Procuradoria Geral da República ter opinado pela desnecessidade da prisão preventiva e requerido apenas a instauração de inquéritos”, afirmou Benzota.

Segundo o advogado, “não houve obstrução da justiça e coação de testemunhas; os investigados têm endereços certos e mais uma vez foram encontrados nos respectivos endereços”.

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