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EM 2020 QUERO UM AMOR E UMA MATA

Edelvânio Pinheiro

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[Almir Zarfeg] No Ano-Novo eu quero um amor para chamar de meu e uma mata para chamar de minha. Quero-os tais quais são: amor amor, mata mata! Sem metáforas e/ou segundas intenções.

Portanto, nada de amor/poema ou mata/prosa, essas desculpas esfarrapadas com as quais a gente sempre dá um jeitinho, inclusive fingindo a dor que deveras sente.

No poema – amoroso ou não – sempre nos damos bem. Até porque um poema é uma teia de palavras ou imagens na qual fingimos, inventamos, imitamos, mudamos, transmudamos!

Na mata – atlântica ou não – estamos sempre nos escondendo de outrem ou de nós mesmos. Pense naquele pau-brasil tamanho família! Quando fazemos dela um enredo ou desenredo, então, o bicho pega, a vaca vai pro brejo e cão que ladra… não pinta nem borda!

Desde 2015, tenho desejado um Ano-Novo com mais prosa e menos poema! Mas, vira e verso, eis-me poetando nuvens vadias, sem rumo nem direção, como se o amor mandasse e desmandasse no eu lírico, impondo suas vontades e bel-prazeres. Amor/poema, que fique claro, meu camaradinha!

Para se ter uma ideia, neste ano que chega ao fim e ao cabo, concluí “Três poemíssimos” e, nas duas últimas estações, espalhei trovas aos quatro ventos que, depois, com algum prAZer, reuni no inédito “Trovíssimas”, já prefaciado pelo Luiz Poeta!

Sem contar os poemas avulsos que transbordaram aqui e acolá, sufocando-me dos pés à cabeça. E as aldravias que – com caras e bocas – se impuseram e estão compondo a obra “Ave, Aldravia! Salve, Setembro!”. Não relegando, evidentemente, “Sorrie, Sophie!”, pronto e acabado, à desimportância!

Enfim, mais amor que mata, mais poema que prosa!

Até quando, Bita de Itanhém? Diga-mo! Você que é testemunha ocular e cordial das minhas façanhas e desfaçatezes! Você que se diz meu alterego!

Em 2020, portanto, quero um amor para chamar de meu e uma mata para chamar de minha… teúda e manteúda! Aquele para fazer minha cabeça e me atirar na perdição, esta para acompanhar meus passos e me oferecer salvação! (De preferência sem rimas!)

Enfim, coração e palma. Aconchego e calma. É querer demais?

Porque essa dupla fajuta – poema/prosa – não me engana mais! (risos)