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Eu também sou do tempo em que o Danúbio era azul

Edelvânio Pinheiro

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[Almir Zarfeg] O Danúbio Azul – bar, restaurante e hotel – fez muito sucesso em Itanhém pelo menos por duas décadas.

Localizado no coração da cidade, ele foi fundado e se manteve sob o controle de seu Luiz Edmundo Rocha por anos a fio. Com a morte do fundador, o genro, Carlitinho, assumiu o comando do estabelecimento comercial.

O prédio, pintado de azul, chamava a atenção de todos, porque era vistoso e se localizava na Rua Presidente Vargas, nº 18, esquina com a Praça da Liberdade. Na parte de cima funcionava o hotel. Mais acima, o terraço. Na parte de baixo, o bar e restaurante frequentado por moradores e visitantes. Ali funcionou também um guichê para venda de passagens das viações São Jorge e Sulba (adquiridas depois pela Águia Branca) e Riodoce.

O azul, de tonalidade forte e marcante, atraía a atenção de todos que passavam por ali. Atraía, não atrai mais…

Porque o Danúbio Azul, simplesmente, não existe mais. Há poucos dias, o prédio decadente voltou a virar notícia, uma vez que a marquise ameaçava desabar e, assim, atingir algum transeunte desatento. A obra foi concluída, mas, em vez de azul, foi pintada de vermelho…

Sempre atento às coisas e situações itanheenses, o poeta Airam Ribeiro postou uma foto do prédio recuperado e legendou: “Sou do tempo em que o Danúbio era azul”. Repercutiu rapidamente nas redes sociais.

Eu também sou do tempo em que o Danúbio era azul, o Bola era branca, o Bar era líder e o Hotel… comercial, só para ficar nesses quatro estabelecimentos que fizeram história na Praça da Liberdade, entre os anos 70, 80 e 90.

Infelizmente, a Praça da Liberdade não é mais a mesma. Inaugurada pelo então prefeito Jota Pires, que a instalou no local onde funcionava a feira livre até o início dos anos 60 do século passado, esse importante logradouro foi abandonado pelas últimas administrações.

Graças a uma parceria com o governo federal, contudo, o ex-prefeito Bentivi conseguiu recursos para reformar a praça em questão. O espaço foi todo cercado por tapume, para as primeiras providências, mas não passou disso.

A prefeita Zulma Pinheiro, que assumiu em seguida, expôs o canteiro de obras à atração pública e, mais, responsabilizou o ex-prefeito pela não conclusão dela. Por mais de dois anos, a praça ficou abandonada pela gestora que, só recentemente, resolveu tocar a obra, tendo que manter o projeto original.

Como a Praça da Liberdade ficará, após a reforma, vamos esperar para ver. Mas ela não terá o bom e velho Danúbio Azul como atração. Nem o Bola Branca, nem o Líder Bar e nem tampouco o Hotel Comercial!

Estes são outros tempos com gostos e cores diferentes. São tempos diferenciados, como se diz por aí. Agora, os jovens preferem navegar na virtualidade a praticar footing nas praças da vida, como fazíamos aos domingos, após a missa das 19h, e nos feriados. Mas os homens públicos (as mulheres também) ainda botam os interesses privados na frente dos públicos. Uma praça, para essas pessoas, é apenas uma praça. Uma rua é somente uma via pública.

Jovens ou idosos, porém, todos passam ou vão passar. Sady Teixeira, Jota Pires, Gedeon Botelho passaram. Os Batistas também vão passar, mas a pracinha – com liberdade ou sem – vai permanecer para sempre.

FOTO/Airam Ribeiro: Danúbio Azul, que já fez história em Itanhém, antes e depois.