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Hoje é o dia da menina mais linda

Edelvânio Pinheiro

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As águas do mar se deixavam cintilar pela luz dourada do sol. Nenhuma nuvem ousava rebentar o horizonte e a embarcação dançava nas ondas que, levemente, seguiam o ritmo daquelas calmarias irrefutáveis.

Os cabelos da menina bonita voavam com as velas e brincavam com o azul, com o som e o ar. Toda a vida era um aroma de paz e horizonte pleno quando, de repente, sentimos o mundo trepidar, a revoada dos pássaros desaparecer, escondendo-se atrás das nuvens mais obscuras. A proa envergava-se vagarosa e apavorantemente, grandes ondas barulhentas rugiam na carena, cuspiam no bombordo e atiçavam as velas.

Mas a desordem do vendaval ao encobrir a vida fez com que descobríssemos marinheiros altivos e corajosos. Foi nesse cenário que a menina mais linda assumiu o leme e realinhou o horizonte. Ela passou a entender os nós de velocidade, reacendeu o caminho dos pássaros e baixou e subiu as cordas do mastro todas as vezes que se fez necessário.

Quando a nau ameaçava afundar, minha menina mais linda envergava na proa para ler a mensagem dos ventos e fazia das próprias mãos remos firmes. Quando as velas estabilizavam a embarcação, por precaução, observava atentamente as escotilhas.

No desafio de viver escondido nos porões, eu contava diuturnamente com o sorriso iluminado da minha menina que, sempre com a voz doce, pronunciava, pausadamente “Oi, painho”. O abraço dela despertava em mim a coragem para aqueles dias sem luz e me fazia ser forte, apesar da tempestade inventada pela maldade humana.

A embarcação segue pelo mar bravio, vencendo, dia após dia, as nuvens mais densas. E, a fidelidade da minha tripulante mais serena é a lua clara que abre rotas pelo manto da noite. Sobreviventes e mesmo ainda estando em alto-mar, hoje, 28 de julho, comemoramos o dia de AMY BRIAN, a menina mais linda!

[Crônica de Edelvânio Pinheiro]