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Itanheense José Carlos Santos dos Reis, popular Begão, morre aos 65 anos em Atibaia, SP

Edelvânio Pinheiro

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[Edelvânio Pinheiro] José Carlos Santos dos Reis morreu na manhã deste domingo (29), aos 66 anos, na cidade de Atibaia (SP), em virtude de complicações de um transplante renal.

Também conhecido como “Carlinhos de Zé Henrique” e “Begão”, ele era natural de Itanhém (BA), mas se mudou para a capital paulista no final dos anos 60 do século passado, onde fez o curso técnico de contabilidade, se envolveu com o movimento estudantil e, em 1981, se graduou em direito.

Advogado, Begão se mudou juntamente com a família para Atibaia, cidade do interior paulista, onde advogou pelos próximos 30 anos, fundou o Partido dos Trabalhadores, que presidiu, e se candidatou a vereador nas eleições de 1988.

No ano passado, ele se submeteu a um transplante de rins, mas foi surpreendido pela rejeição no pós-operatório, o que o deixou muito fragilizado, culminando com o óbito dele na manhã de hoje.

A reação à morte de Begão, em São Paulo e na Bahia, foi automática e acompanhada de muita demonstração de tristeza e carinho. Nas redes sociais a notícia repercutiu amplamente.

“Um itanheense que levou a todos os cantos a voz da justiça, dos direitos humanos e da solidariedade, que estará sempre eternizado em nossas memórias”, disse Milton Guimarães, ex-prefeito de Itanhém, à reportagem do Água Preta News.

Para o diretor do Projeto Club Resgate, Manoel Binas, Begão foi um “grande admirador da nossa luta e um apoiador das iniciativas em nome de uma Itanhém melhor”.

O advogado José Carlos Teixeira também lamentou a morte de Begão em sua página no Facebook: “Agora se vai o meu xará deixando para trás um verdadeiro relicário da história das terras das Águas Pretas. Uma perda irreparável”.

O poeta e jornalista Almir Zarfeg publicou no Facebook o poema “Begão”, extraído do livro de sua autoria “Poe-mas”, e lamentou a morte do “amigo e cumpadi”.

Zarfeg confidenciou à reportagem do Água Preta News que gostaria muito de reunir os poemas e crônicas de Begão num livro póstumo. O poeta teria discutido sobre isso com Maria Rita, filha do já saudoso itanheense.

“Os textos de Begão falam da Itanhém dos anos 50 e 60 que, já na primeira leitura, me conquistaram pela sensibilidade da escrita e pela riqueza da temática. Enfim, um verdadeiro tesouro da gente água-pretense”, afirmou Zarfeg.

Para ilustrar, Zarfeg citou o poema “Maria Rayban” – premiado no VII Concurso Estadual de Poesia da OAB/SP –, inspirado numa das personagens mais conhecidas da sociedade itanheense que, ainda hoje, povoa o imaginário das pessoas.

Recentemente, em reconhecimento aos serviços prestados por Begão à cidade de Atibaia e à região, ele foi homenageado com a “Biblioteca Popular José Carlos Santos dos Reis”.

Sempre bom lembrar que José Carlos Santos do Reis é filho do saudoso José Henrique dos Reis, ex-vereador por Itanhém e patrono da Cadeira 28 da Academia Teixeirense de Letras, cuja titular é a poeta Cássia Oz.

EXCLUSIVO: Ouçam aqui “Casinha de bambu”, parceria de ClauduArte Sá e Begão.