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Mildson Medeiros, seu ex-candidato a vice e as uvas de Esopo

Edelvânio Pinheiro

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Respirem caros leitores! Busquem ar no fundo dos pulmões e leiam estas frases extraídas do discurso que o ex-candidato a vice-prefeito de Mildson Medeiros nas eleições de 2016 fez na convenção do MDB, PROS e PTB, neste domingo, dia 13, que indicou os nomes de Zulma Pinheiro e André Lisboa candidatos a prefeito e vice-prefeito.

“Eu estou emocionado porque aprendi a fazer política com Álvaro Pinheiro. Em 1994 meu primeiro voto foi para o deputado estadual Álvaro Pinheiro.”

“Um compromisso que Deus colocou em nossas vidas é um compromisso por muitas pessoas, compromisso de melhor saúde, de melhor educação, de segurança para a população, de expectativa de emprego e renda e compromisso com o próximo e isso eu vi na administração Zulma Pinheiro.”

“Temente a Deus como eu sou, eu busquei orientação e toda a vez que eu buscava orientação Zulma aparecia como referência, Zulma aparecia como referência. O bom crente obedece a Papai do Céu e eu não tive nenhum receio de declarar meu apoio a Zulma Pinheiro e a André.”

Depois desse enredo todos podem entender, em definitivo, que agora o advogado Ronny Peterson Nogueira Bacelar, ou simplesmente Dr. Ronny Peterson, é um ex-simpatizante da política de Mildson Medeiros.

Eu disse em um dos três vídeos que gravei nesse período, que as pessoas são livres para pensar e depois mudar suas ideias e livres para exercer os direitos invioláveis da nossa bela democracia. Referente a sua escolha, não há nada o que dizer sobre o discurso de Dr. Ronny Peterson, afinal, ele fez uso da livre manifestação do pensamento para relatar agora, e tão somente agora, quando seu nome não foi aceito como candidato a vice-prefeito na chapa, que descobriu que Mildson Medeiros defende uma política obscura em prol do coronelismo, da vaidade, cujo objetivo é servir aos ricos e não aos menos favorecidos.

Mas preciso dizer que, na qualidade de amante da literatura não pude deixar de comparar o nobre doutor à raposa de Esopo. O sábio escritor, criador de ilustres fábulas, certamente não ficaria satisfeito com esta comparação. Mas, mesmo assim, vou contrariá-lo.

Pois bem, a raposa do sábio grego seguia calmamente pela paisagem quando avistou uma parreira e, nela, bem no alto, lindas uvas maduras, ao ponto de provocar uma intensa salivação ao deseja-las. Depois de inúmeras tentativas frustradas para alcançar as uvas, a raposa desistiu! A saída foi fazer pouco caso das frutas, mentindo para si mesma de que elas estavam verdes e certamente estragariam seus dentes.

A psicologia chama esse comportamento de dissonância cognitiva, em razão dessa incoerência entre o que você gostaria e o que de fato está acontecendo. De maneira mais simplificada “comumente se fala mal daquilo que não se pode ter”.

Ronny Peterson foi muito honesto quando relatou que se afastou do ninho confortável de Zulma Pinheiro ou dos Batistas, como queiram, onde aprendeu a fazer política com uma velha raposa chamada Álvaro Pinheiro, mas retornou ao antigo lar, depois de se convencer de que as uvas de Esopo (Opa! De Mildson Medeiros) estavam verdes e estragariam seus dentes.

A raposa da fábula de Esopo, como se sabe, não tinha religião, não pediu nenhum conselho a Deus. Quando não conseguiu o que queria, ela apenas massageou o seu ego, dizendo que as deliciosas e suculentas uvas estavam verdes e seguiu em frente, com dignidade e com a cabeça erguida, sem ofender a ninguém com discurso estrategicamente inoportuno.

Ao que parece, Mildson Medeiros deve manter-se na dele, até mesmo porque esta fruta chamada silêncio só os sábios sabem quando degustá-la.