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‘Paradoxo do exercício’: o motivo pelo qual somos tão preguiçosos

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[Veja]

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 25% dos adultos e 80% dos adolescentes não se exercitam o bastante, ainda que os efeitos positivos na saúde física e mental sejam estabelecidos e amplamente difundidos. A explicação para essa controvérsia pode estar no nosso cérebro. De acordo com um estudo publicado recentemente na revista Neuropsychologia, as pessoas enfrentam constantemente um conflito interno entre manter hábitos saudáveis – como ir para a academia ou praticar algum esporte – e fugir deles, em um fenômeno conhecido como ‘paradoxo do exercício’.

Os pesquisadores da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, descobriram que o cérebro humano está programado para se sentir mais atraído pelo comportamento sedentário, que é considerado um dos principais fatores de risco de morte no mundo, além ser frequentemente associado ao surgimento de problemas cardiovasculares, câncer e diabetes. A pesquisa mostrou também que quando tentamos mudar esta realidade, temos que ativar mais recursos cerebrais para superar os instintos naturais da preguiça.

Esses instintos, na verdade, fazem parte da evolução humana. “Conservar energia sempre foi algo essencial para a sobrevivência do ser humano por permitir que seja mais eficiente na busca por comida, achar um refúgio, competir por um par sexual e evitar predadores”, explicou Matthieu Boisgontier, um autores do estudo, em entrevista ao site da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá. Apesar de a vida moderna ter sido facilitada pela tecnologia, os instintos de sobrevivência ainda são parte fundamental da nossa espécie.

A pesquisa

Para desvendar o mistério por trás do paradoxo do exercício, a equipe observou a reação cerebral de 20 voluntários (homens e mulheres) por meio de eletroencefalogramas (exame que registra a atividade elétrica do cérebro). O principal requisito para participação no estudo era o interesse por atividade física, ainda que a frequência do exercício fosse baixa.

No experimento, os participantes foram submetidos a um teste de computador no qual controlavam um avatar. Durante o teste, surgiam imagens na tela em que as figuras se exercitavam (subindo escadas ou andando de bicicleta). Em seguida, aparecia outra figura, que estava parada (deitada em uma rede, por exemplo).

Os participantes precisavam aproximar o avatar o mais rapidamente possível de imagens que indicavam movimento, afastando-se das imagens sedentárias. O contrário também foi solicitado: eles tinham que se aproximar rapidamente das figuras preguiçosas, evitando os exercícios. Todo o teste foi monitorado por eletrodos que registravam a atividade cerebral.

Força de vontade

De acordo com informações da rede BBC, os pesquisadores notaram que os indivíduos foram, em geral, mais rápidos ao moverem seus avatares na direção das imagens de atividade física. Entretanto, o monitoramento do cérebro apontou que para fazê-lo, os participantes gastavam mais poder intelectual, o que demonstra uma disparidade entre a intenção e o que, inconscientemente, o corpo deseja.

“Já sabíamos, por estudos anteriores, que as pessoas eram mais rápidas em evitar comportamentos sedentários e buscar comportamentos ativos. A novidade é que nosso estudo demonstra que isso tem um custo, um maior envolvimento de recursos cerebrais. Esses resultados apontam que nosso cérebro é naturalmente atraído pelo sedentarismo”, disse Boisgontier.

Embora os resultados tenham revelado com mais clareza a relação entre o cérebro e a preguiça, a equipe admitiu que o estudo é pequeno e, portanto, mais investigações são necessárias para compreender melhor – e quem sabe potencializar – a força de vontade demonstrada pelos voluntários.

Evolução

Segundo informações do site especializado Medical News Today, um artigopublicado na revista científica Current Sports Medicine Reports, em 2015, indicou que as diretrizes de saúde pública apresentam resultados modestos justamente por causa deste processo evolutivo evidenciado pelo novo estudo. Segundo Daniel E. Lieberman, autor do texto, as pessoas estão propensas a seguirem o instinto de conservação de energia, preferindo optar pela facilidade de manter-se sedentário e ainda exagerar na ingestão de alimentos obesogênicos (produtos químicos encontrados em embalagens e em alimentos) altamente processados.

Ele ainda explicou que esses instintos só se tornaram um problema na sociedade moderna porque não precisamos mais procurar alimentos. Para combater o problema da inatividade, a recomendação é tornar a atividade física mais divertida ou reestruturar os ambientes para que exijam mais exercícios. “Até que possamos fazê-lo efetivamente, podemos esperar permanecer presos em um círculo vicioso no qual, ao tratar os sintomas e não as causas de doenças causadas pela inatividade física, permitiremos que o paradoxo do exercício persista e piore”, escreveu Lieberman.

Assim, cabe a nós tentarmos superar essa ‘preguiça natural’. E nem precisamos de muito para nos mantermos saudáveis: 150 minutos de exercício moderado ou 75 de atividade intensa por semana já são o suficiente para melhorar a saúde, aponta a Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês).

FOTO: O cérebro humano está programado para se sentir mais atraído pelo comportamento sedentário. (iStock/Getty Images)

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Amores sofredores conduzidos por dependência emocional afetiva: ressignifique a sua forma de amar!

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Quem nunca sofreu uma dor de amor? Quem nunca jurou nunca mais amar? Quem nunca “pagou a própria língua” quando se viu, no momento seguinte, em outro relacionamento, sofrendo, novamente, por amor. Quem nunca?

Somos seres de apego e nossa necessidade fundamental é ser reconhecidos, amados, desejados, olhados pelo outro. A nossa alma busca por amor, sendo assim, em algum momento da vida, o nosso coração irá se machucar. Só não sofre quem não ama!

Todos nós temos o direito de lutar pela nossa felicidade, não existe um limite de tentativas. Se sua alma anseia em ser feliz, não se importe com os julgamentos alheios, vá em frente, lute pelo amor quantas vezes tiver vontade e disposição para amar!

No entanto, em nome do “amor”, nunca sabote os princípios que orquestram sua vida, não negue e não negligencie seus valores, aqueles que constituem sua essência humana.

Caso você se anular num relacionamento ou tentar se enganar, para meramente fazer a vontade do “ser amado”, seu eu gritará por socorro para que se liberte de dentro de si mesmo(a).

Quando você permite que o outro o machuque constantemente, alguma coisa está muito errada em você! Atrevo-me a falar que, se existir em sua vida um relacionamento assim, não é amor!

Talvez, seja uma relação de dependência emocional afetiva, por alguma razão que você próprio(a) desconhece, ou até mesmo conhece. Quem sabe você aja assim, portanto, uma coisa levou a outra.

Bem, vou explicar, talvez você esteja carregando o peso de algumas carências de infância, carências passadas ou de outros relacionamentos, ou, quem sabe, do atual relacionamento, carências que crescem e se tornam permanentes.

Carência não é o mesmo que dependência. A carência pode ser um estado emocional passageiro conforme citei, todavia, quando se torna constante, poderá originar um quadro de dependência emocional afetiva, tendo como consequência uma doença do amor.

E quantas pessoas hoje se encontram num relacionamento adoentado? Pessoas que possuem essas características são regidas por medo, baixa estima, insegurança, e lá, bem no íntimo de cada uma, nutrem crenças limitantes, avaliam não serem merecedoras de um amor maior e verdadeiro.

Se você tiver um “amor” assim, recomendo uma análise de sua vida e até mesmo ajuda profissional.

Num relacionamento amoroso as duas partes precisam se doar e se esforçar para um fazer o outro feliz. Amar sozinho não vale a pena! Ame a si mesmo, amor-próprio primeiro! Se você fizer isso, deixará bem claro para a outra pessoa o quanto você é especial, e como uma pessoa especial, na relação a dois, igualmente, você merece respeito e cuidado!

Pergunto: quem é que já foi “escravo do amor, em nome do amor”? Quem é escravo do amor? Amor não escraviza ninguém! Que tremenda contradição, não é mesmo? Quando você transfere seu “amor” exclusivamente para a vida de outra pessoa, você nega a oportunidade de ser feliz.

O que acontece com relacionamentos doentios?

Acontece assim: “A minha felicidade depende dele(a), nada tem valor se ele(a) não me quiser.” Engano seu, o outro não é totalmente responsável pela sua felicidade. São relacionamentos fragilizados, onde existe passividade excessiva de uma pessoa, e esta cede sempre, por medo de ser deixado(a).

Amor não cresce num ambiente ameaçador, onde só um tem voz e o outro diz “amém”.

Uma relação baseada no desgaste frequente devido à submissão pode levar ao adoecimento emocional e físico. É comum pessoas serem acometidas por depressão por pertencer a uma ligação desse nível.

O amor requer reciprocidade, conforme já mencionei no outro artigo. Então, não se coloque em segundo plano, a única pessoa que pode defender você é você mesmo(a). Verbalize ao outro o que o deixa triste e o que o alegra, fale com segurança dos seus sentimentos. Quando lhe ferirem, você possui o direito de falar!

“Hoje me senti constrangida diante do que você fez, fui ferida na frente daquelas pessoas, espero que você me entenda e mude suas atitudes…”

Existem pessoas que preferem continuar se enganando e adiando a felicidade, funciona mais ou menos assim: “Deixa para lá! Ficarei mais um ou dois anos assim, depois eu vejo, qual vai ser a decisão que tomarei a respeito desse relacionamento…”

A pergunta é: quem lhe garante que daqui um ou dois anos, você estará aqui? Você quer acreditar nisso, eu também!  Porém, a oportunidade de ser feliz é agora. Lute pela sua felicidade HOJE, o amanhã é incerto!

Já diz a letra da música de Ana Vilela: “A vida é trem bala, parceiro, a gente é só passageiro prestes a partir…”

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“Pequeno Príncipe”: alimente a criança que há em você!

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O Salvador pediu: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos Céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas.”

À medida em que você avançar na idade, pois o tempo não perdoa, mantenha a criança que há em você. Não permita que ela morra ou desfaleça. É com essa criança que o Criador pretende manter o seu elo eterno. O Salvador pediu: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois o Reino dos Céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas.”

Assim, por mais cruel que o mundo possa ser, é essencial que você se vista do “Pequeno Príncipe” que reside no seu íntimo. É primordial que cada ser humano, mantenha e alimente essa criança, pois é esta que poderá acalentar o furor desse mundo em descompasso.

Seja criança, seja o “Pequeno Príncipe”! Tenha intenção pura com os seus semelhantes. Não almeje nada em retribuição pelos seus atos de caridade. Viva de forma leve. Não leve tudo a ferro e fogo. Não seja tão sério, tão rigoroso, nem consigo e nem com outrem. A vida avança, demasiadamente, a passos largos, ao seu término e não vale que sejamos tão rigorosos com quem não foi rigoroso conosco, pelo contrário, por amor, cedeu-nos, em profundo sofrimento, a vida Dele!

Seja o “Pequeno Príncipe” no seu convívio diário, no relacionamento com os seus pais, permitindo que estes possam vivenciar um pouco o convívio com as “eternas crianças” deles; seja o “Pequeno Príncipe” com seus irmãos, com seus amigos enfim, e também com o mundo decaído que tenta lhe derrubar, pois ele necessita de sua mão para se reerguer, contudo, não se deixe enganar.

Seja o “Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupery, que nos ensinou que “todas as pessoas grandes foram um dia, crianças, mas poucas se lembram disso.”

Não permita que a criança que há em você, adoeça e até faleça; torne o sorriso e as brincadeiras um hábito diário; seja mais solto; permita-se ter asas; continue sonhando; procure se desconectar dos problemas o máximo que puder e seja feliz!

A felicidade,aos olhos de uma criança, pode ser uma constante, exceto em alguns pequenos momentos de normal infelicidade; constante poderá ser, pois a criança vê graça no mais simples e até no invisível aos olhos, mas essencial à vida, como também nos ensinou o “Pequeno Príncipe”.

A criança pode sorrir ao sentir o vento, inacessível aos olhos, acariciando o rosto dela; ao perceber que o mar corre ao encontro dela, mas que também segue em sentido contrário, como se em fuga estivesse; ao olhar a tempestade que anuncia a vinda do magnífico arco-íris de cores singulares que se misturam entre si, que param olhares de admiração e que nos ensinam que não devemos temer tempestades, pois o arco-íris nos espera doutro lado; também deveremos ter paciência com o desenvolver das larvas, pois poderemos ter a oportunidade de apreciar a beleza das borboletas.

Seja o “Pequeno Príncipe” e sorria com as manobras intermináveis da Mãe Natureza, por vezes tão sutis e lentas, como o desenvolvimento de uma flor; por vezes, tão céleres e visíveis, como a onda que se quebra em bom e alto som!

Divirta-se com a simplicidade, assim como uma criança! Seja o “Pequeno Príncipe”!


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Por unanimidade, Sexta Turma do STJ decide libertar ex-presidente Michel Temer

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[ Por Luiz Felipe Barbiéri, Mariana Oliveira e Mateus Rodrigues, G1 e TV Globo — Brasília]

Por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu liminarmente (provisoriamente) conceder habeas corpus e libertar o ex-presidente Michel Temer, preso na sede do Comando de Policiamento de Choque, da Polícia Militar, em São Paulo.

Os quatro ministros que votaram (Antônio Saldanha, Laurita Vaz, Rogério Schietti e Néfi Cordeiro) se manifestaram favoravelmente à libertação de Temer e do coronel João Baptista Lima Filho, ex-assessor e amigo pessoal do ex-presidente – outro integrante da turma, o ministro Sebastião Reis Junior se declarou impedido e não participou da sessão.

Com a decisão, Temer e Lima permanecem em liberdade pelo menos até o julgamento definitivo do mérito do habeas corpus, pela própria Sexta Turma, em data ainda não definida.

Os ministros que votaram na sessão desta terça se manifestaram pela substituição da prisão pelas seguintes medidas cautelares:

  • proibição de manter contato com outros investigados;
  • proibição de mudança de endereço e de se ausentar do país;
  • entregar o passaporte;
  • bloqueio dos bens até o limite de sua responsabilidade;
  • não contato com pessoas jurídicas relacionadas ao processo;
  • proibição de exercer funções de direção em órgãos partidários.

Temer e Lima são réus por corrupção, lavagem de dinheiro e peculato em uma ação penal que tramita no Rio de Janeiro e apura supostos desvios na construção da Usina Angra 3, operada pela Eletronuclear.

Os votos dos ministros

Antônio Saldanha – “Conquanto fundamentada, carece a prisão preventiva de necessidade”, afirmou ao votar o relator, ministro Antônio Saldanha.

Para Saldanha, “há de se exigir assim que o decreto de prisão preventiva venha sempre motivado e não fundado em meras conjecturas”.

O relator considerou que não há elementos que indiquem que Temer e Lima podem prejudicar as investigações. E afirmou que, por isso, os dois podem responder ao processo em liberdade.

Em seu voto, Saldanha destacou que os fatos sobre ambos são antigos e que Temer não tem mais cargo público para prejudicar o andamento da apuração.

“Frisa-se que além de razoavelmente antigos os fatos, o prestígio político não mais persiste, visto que o paciente Michel Temer deixou a Presidência da República no início desse ano e não exerce atualmente cargo público de destaque ou relevância nacional”, disse.

Saldanha considerou ainda que a “justa causa” que motivou o decreto de prisão preventiva de Temer e Lima foi formada especialmente pelas declaração de um delator premiado, o que não seria suficiente.

“A simples declaração acusatória, de pretenso colaborador da justiça, não pode ter ainda nenhum efeito de restrição sobre os direitos do acusado”, afirmou o ministro.

“Essa restrição cautelar à liberdade ainda requer a presença de prova de existência do crime e indícios suficientes de autoria. Ocorre que a declaração do agente colaborador, por ocasião de celebração do acordo, não constitui tecnicamente esse requisito, não é prova e nem sequer um indício”, declarou Saldanha.

Laurita Vaz – Em seu voto, a ministra Laurita Vaz disse que a Corte deve se manter “firme” no combate à corrupção, mas que isso não pode se tornar uma caça às bruxas.

“Sem dúvida, não há outro caminho. O Brasil precisa ser passado a limpo e o Poder Judiciário possui importante papel nessa luta com isenção e austeridade. No entanto essa luta não pode ser transformar em caças as bruxas”, disse Laurita.

A ministra ressaltou que “para se considerar necessária prisão para garantia da ordem pública, a potencial ação delituosa deve denotar risco atual, não sendo bastante indicar supostas fraudes, já há muito concluídas sem nenhuma possibilidade de repetição de crimes na mesma espécie”. Segundo ela, “a despeito da gravidade, a existência de autoria, não há razão para impor prisão preventiva”, afirmou Laurita.

Rogério Schietti – O ministro Rogério Schietti deu o terceiro voto favorável à soltura de Temer. O magistrado afirmou que em nenhum momento a autoridade judiciária fez menção a fatos atribuídos a Temer que estariam voltados a atrapalhar as investigações.

“Penso que a análise da gravidade do crime, bem como as condições pessoais do paciente, autorizam (…) a conclusão ainda que provisória, porque estamos a julgar uma liminar, de suficiência de medidas alternativas à prisão preventiva”, afirmou Schietti.

O ministro destacou em seu voto que Temer tem 78 anos, é professor universitário e ex-presidente da República.

“O réu possui residência fixa, não há notícia de tentativa de fuga. Nos outros processos, não foi decretada prisão em cautelar, nem mesmo em janeiro deste ano, em processo que se poderia fazer isso, no Supremo Tribunal Federal, por fatos mais recentes. Demonstrou, mesmo após a decretação da prisão, respeito às instituições. Não interferiu, apresentou-se espontaneamente em juízo, e vem-se mantendo sereno e colaborativo nos processos”, disse Schietti.

O ministro sustentou que Temer está afastado das suas funções e não possui as mesmas facilidades para interferir na administração pública. “[A liberdade] não representa atestado de inocência ou chancela judicial pelas eventuais ilicitudes que tenha cometido”, declarou o ministro.

Nefi Cordeiro – O presidente da Turma, Néfi Cordeiro, foi o último a votar e também se manifestou pela soltura de Temer e Lima. Ele afirmou que colocar um réu em liberdade durante o processo não é impunidade, mas garantia.

Para Cordeiro, não se pode prender hoje, porque o risco de cometer delitos é antigo. O ministro lembrou que os últimos fatos imputados a ao ex-presidente no processo são de 2015. “Quatro anos após, sem mais desempenho de função pública não se justifica riscos de reiteração”, afirmou.

“Pelo mais relevante fato criminoso, merecerá aquele que vier a ser condenado a mais gravosa pena. Mas isso não lhe impede de responder ao processo em liberdade, com presunção de inocência”, declarou Néfi.

Segundo o ministro, “não se pode durante o processo prender pela gravidade abstrata do crime. Não se pode prender porque os fatos são revoltantes, porque o acusado é estrangeiro, rico ou influente. Não se pode durante o processo prender como resposta a desejos sociais”.

Quais são as investigações?

Temer é suspeito de liderar uma organização criminosa que, segundo o Ministério Público, teria negociado propina nas obras da usina nuclear de Angra 3, operada pela Eletronuclear. Lima e o o ex-presidente é acusado de ter cometido os crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

A Operação Descontaminação teve como base a delação premiada de José Antunes Sobrinho, dono da empresa Engevix.

O empresário disse à PF que pagou R$ 1 milhão em propina, a pedido do coronel Lima, do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento de Temer.

Segundo o MPF, propinas ao grupo de Temer somaram R$ 1,8 bilhão e incluem diversos crimes cometidos em órgãos públicos e empresas estatais.

O que argumentam as defesas?

A defesa de Temer afirma que o ex-presidente nunca praticou nenhum dos crimes narrados e que as acusações insistem em versões fantasiosas, como a de que Temer teria ingerência nos negócios realizados por empresa que nunca lhe pertenceu.

“Michel Temer não recebeu nenhum tipo de vantagem indevida, seja originária de contratação da Eletronuclear, seja originária de qualquer outra operação envolvendo órgãos públicos. Por isso, nunca poderia ter praticado lavagem de dinheiro ilícito, que nunca lhe foi destinado”, sustentam os advogados.

Cristiano Benzota, advogado de coronel Lima, classifica a ordem de prisão como “desnecessária e desarrazoada”.

“Chama a atenção o fato de a própria Procuradoria Geral da República ter opinado pela desnecessidade da prisão preventiva e requerido apenas a instauração de inquéritos”, afirmou Benzota.

Segundo o advogado, “não houve obstrução da justiça e coação de testemunhas; os investigados têm endereços certos e mais uma vez foram encontrados nos respectivos endereços”.

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