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Permitam-me o trocadilho, ainda bem que Mildson Medeiros “já taí” para resolver a baderna

Edelvânio Pinheiro

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Enquanto o município de Itanhém se incendiava nas últimas campanhas eleitorais, as abelhas voavam ao sabor da bússola da vida. Alheias às passeatas e carreatas, fogos de artifício, proibições judiciais e coronavírus, as jataís, adaptáveis a espaços urbanos, buscavam um lugar tranquilo, seguro e confortável para construir uma colmeia.

Depois de alguns sobrevoos, elas encontraram um local bem apropriado na Secretaria da Saúde de Itanhém, ali próximo à sala de controle epidemiológico. Em meio a pastas de arquivos, isopores e outros objetos da secretaria, as Tetragonisca angustula ficaram à vontade para fazer morada.

O ex-vereador Valdebeck foi quem encontrou a colmeia, já na nova gestão de Mildson Medeiros. Surpreso, ele filmou a morada das abelhas e enviou o vídeo às redes sociais e ao Água Preta News. E, mesmo não sendo apicultor, ele teve o cuidado de devolver os bichos à natureza.

Talvez a análise seja grotesca, mas a presença das jataís naquele local nos parece denunciar abandono, falta de cuidado ou coisa do tipo.

O novo prefeito e seu secretário da Saúde, Dr. Roberto Matoba, certamente não se incomodariam em se deparar com uma ou outra abelha pelos corredores, mas parece que as jataís não encontrarão espaços tão propícios para construir colmeias numa administração que já começou com a inquietação de quem quer mudanças e muito trabalho.

Por falar em trabalho, as abelhas exercem fascínio em todo o mundo. Sem elas a vida talvez não existisse na terra, afinal são esses pequenos bichinhos que fazem todo o trabalho de polinização e, como se sabe, a polinização espalha vida todos os dias.

Aproveito a oportunidade e peço aos caríssimos leitores que não matem as abelhas. Caso as encontrem por aí, fazendo colmeias nas barbas de algum prefeito e secretário desatentos, faça como Valdebeck que, cuidadosamente, devolveu as jataís à natureza para fortalecer nosso enfraquecido bioma.

As abelhas são seres atarefados que, de flor em flor, ajudam a reflorescer o mundo e, com sorte, ainda podemos vê-las provando o descaso e a ineficiência de gestores que abandonam a cidade e fingem não notar quando o município está afogado no caos.

Enquanto as jataís – que, diga- se de passagem, produzem o mel mais saboroso de todos – buscam outro local estratégico para construir sua belíssima colmeia, deixem esse escrevinhador de história procurar o que fazer. Há muito que ser noticiado por aí.

No mais, permitam-me o trocadilho: ainda bem que Mildson Medeiros já taí para resolver a baderna administrativa em Itanhém. Lembrando, claro, que nosso município precisa ser praticamente reconstruído e isso também é um trabalho de todos nós. Trabalho de abelha, de flor em flor, com seriedade, coletividade e organização, pois como diz o Barão de Montesquieu, “o que não for bom para a colmeia também não é bom para a abelha”. Concorda comigo, ex-vereador e agora descobridor de abelhas, Valdebeck Gonçalves da Cruz?

[Crônica de Edelvânio Pinheiro]