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Por causa do quociente eleitoral, candidatos a vereador bem votados como Lidiane não foram eleitos

Edelvânio Pinheiro

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[Por Edelvânio Pinheiro] A novidade destas eleições municipais foi o chamado quociente eleitoral, que estabeleceu uma nova regra para a escolha dos candidatos a vereador nos mais de 5 mil e 500 municípios brasileiros: o fim das coligações proporcionais. O número de votos recebidos por cada partido é que define se a legenda terá uma ou mais cadeiras nas Câmaras Municipais. Se não conseguir o número mínimo de votos, o partido fica sem representante. Esse critério vale também para deputados estaduais, federais e distritais.

Fruto da reforma eleitoral de 2017, o quociente eleitoral já mostrou sua influência no resultado das eleições deste ano: candidato bem votado não significa, necessariamente, que será eleito. Por outro lado, candidato com votação inexpressiva pode conseguir, sim, uma cadeira no Legislativo.

O exemplo de Lidiane Martins (PP), em Itanhém, ilustra bem isso. Ela conseguiu uma votação expressiva, mas insuficiente para elegê-la. Os 477 votos obtidos por ela não foram suficientes para garantir a eleição dela, enquanto apenas 446 votos asseguraram uma das 11 cadeiras para Rivelino (MDB). A explicação é simples: ao dividir a totalidade de votos válidos pela quantidade de cadeiras legislativas, o partido de Lidiane ficou apenas com 2 cadeiras. Já a legenda de Rivelino teve direito a 4 cadeiras.

“Como Lidiane obteve a 3ª colocação entre os candidatos do seu partido, ela não foi eleita. Isso é lamentável, porque, além de bem preparada, ela seria garantia de participação feminina no Legislativo itanheense”, comentou Almir Zarfeg.

As duas cadeiras do Partido Progressista (PP) serão ocupadas por André Correia, que foi reeleito com 653 votos, e Caboquinho Porto, reeleito com 483 votos.

Já as quatro cadeiras conquistadas pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) serão ocupadas por Renato Correia, Gerson Pícoli (reeleito), Sasdelli Resende (reeleito) e o já citado Rivelino.

Essa mudança foi pensada para fortalecer os partidos e, também, estabelecer condições igualitárias de acesso para os candidatos. A figura do candidato puxador de votos, portanto, não terá mais vez nas disputadas eleitorais.

“A partir de agora, serão eleitos os candidatos mais bem votados de cada partido e não do pleito”, disse Zarfeg, acrescentando que o número de partidos será reduzido nas pequenas cidades, como Itanhém.

Para se ter uma ideia, nas eleições municipais de 2016, foram eleitos 9 vereadores pelas legendas PCdoB, PP, DEM, PSB, PSDB, PT, PR e PHS. Em 2020, mesmo com duas cadeiras a mais na Câmara, foram eleitos 11 edis pelos partidos MDB, PSD, PP, PTB e AVANTE.

“Independente de quantos e quais partidos, esperamos que a legislatura que se iniciará em janeiro de 2021 seja melhor que a atual em todos os sentidos. Para começar, sem a lamentável disputa judicial para ver quem vai presidir a mesa diretora”, concluiu Zarfeg.