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Presidente se desequilibra durante sessão e manda fechar porta da Câmara. E o que Maquiavel tem a ver com isso?

Edelvânio Pinheiro

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Quem foi à reunião da Câmara de Itanhém desta segunda-feira (22) pode perceber que o pensamento de Nicolau Maquiavel está vivo, apesar de já passados mais de meio milênio de sua principal obra, “O Príncipe”. O polêmico pensador mandou dar poder ao homem se quisesse descobrir quem ele realmente é.

O assunto principal debatido na sessão foi o projeto de lei de autoria da prefeita Zulma Pinheiro (MDB) que, na semana passada, acabou com a democracia na escolha de diretores escolares. Agora se sabe que, dos nove vereadores, apenas Ronaldo Correia (PC do B), Audrey Correia (PR), Sasdelli Resende (PSDB) e Gelson Picolli (PSDB) foram favoráveis à nova lei que foi sancionada pelo Executivo.

A melhor comparação da reunião desta segunda-feira seria a um picadeiro, com direito à presença de artistas, malabaristas, palhaços e público escolhido à dedo.

Até a secretária da Saúde, Renilda Chapéu e funcionários contratados da prefeitura, que pouco ou nenhuma vez foram à Câmara Municipal estavam lá, sorridentes e aplaudindo qualquer colocação dos vereadores que fosse contra as reivindicações dos professores. E, pasmem! Até um ônibus foi locado para trazer moradores do distrito de Ibirajá para assistir ao espetáculo.

O ex-presidente da Câmara, Ronaldo Correia, sempre com tom de voz característico de quem quer convencer aos gritos, esbravejou no microfone uma enfadonha argumentação jurídica para sustentar o voto que deu contra a liberdade de escolha dos dirigentes escolares. Mesmo não tendo nenhuma formação na área ele tentou persuadir até com uso de expressões como a locução adjetiva ‘sine qua non’, originada do latim.

O vereador unilateral, apesar de sempre se intitular um legalista de carteirinha, se esqueceu que é objeto de denuncia do vereador André Correia, que o acusa de improbidade administrativa por ter, segundo André, usado a máquina pública para se beneficiar.

Momento que Sasdelli Resende expulsou Manzinho da Câmara. Manzinho nega que tenha atrapalhado os trabalhos do legislativo.

Nefelibata

Quem viu o presidente Sasdelli Resende dirigindo os trabalhos do Legislativo naquela noite desconheceu o vendedor de carros elegante, educado, polido e bem falante.

Estranhamente, no início da sessão, Sasdelli determinou a leitura dos artigos do regimento da Câmara, que descrevem como o público deve se comportar naquele espaço durante as sessões. A determinação do presidente foi interpretada como uma forma de intimidar manifestações em favor dos professores, os quais foram à Câmara Municipal fazer uso da tribuna contra a “lei da mordaça”, aprovada na semana passada.

Depois, usando dois pesos e duas medidas, Sasdelli ignorou transtornos causados por pessoas ligadas ao grupo político da prefeita Zulma Pinheiro e expulsou do interior da Câmara, Willerman Gundin, o Manzinho, um cidadão de família tradicional e bastante conhecido na cidade. Manzinho nega que tenha atrapalhado os trabalhos legislativos e que, naquele momento, de forma ordeira, como os demais presentes, se manifestava em favor dos professores.

Mais tarde, aparentemente nervoso, Sasdelli Resende determinou que a porta de acesso à Câmara de Vereadores fosse fechada, num flagrante desrespeito à liberdade que o cidadão tem de livre acesso à casa do povo.

A pedido do presidente, a segurança policial foi reforçada para receber os professores e seus apoiadores. Duas viaturas, com sete policiais, foram deslocadas para a sede da Câmara.

Durante a sua fala, a vice-coordenadora da APLB (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia), Aurileide Alves da Silva, cumprimentou os nove vereadores em nome de André Correia, que é o maior entusiasta em defesa da causa dos professores, ignorando a autoridade maior da Câmara, uma vez que, comumente, nestas ocasiões, o orador cumprimenta os vereadores em nome do presidente.

O coordenador, Marcos Antônio Pires dos Santos não se fazia presente à sessão, por estar acompanhando tratamento de saúde de sua filha. Mesmo assim, o nefelibata presidente Sasdelli Resende o cumprimentou como se ali ele estivesse.

Portanto, como se vê, com todo respeito às diversidades de cada época e às divergências ideológicas, Maquiavel nos mostra que homens se transformam quando estão com o poder na mão, ainda que esse poder dure mais apenas um ano e oito meses.