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Que os anjos soem as 21 trombetas de boas-vindas a Fidélis

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O cortejo seguia pelas ruas da cidade de Teixeira de Freitas em um silêncio imperador. Em cima de nós, o céu apinhado de nuvens parecia querer chorar como faziam nossos olhos inundados de lágrimas.

Um guerreiro partiu e então desaguamos!

Impossível ser forte diante do adeus ao irmão de farda Fidélis, que expressou por toda a vida o significado que há em seu nome de batismo: “digno de fé”, “leal” e “amigo”.

Que dia cinza para quem ouviu a salva de 21 tiros fúnebres!

Diante das honras militares os acordes invadiram o coração de todos e me lembrei da canção de Renato Russo: “É tão estranho, os bons morrem antes”.

Fidélis era bom, era jovem, levava consigo a sabedoria de ser humilde e bondoso, um profissional de bravura com a alma terna, um amigo prestativo e leal. Se houve alguém incapaz de amá-lo durante a sua existência, posso dizer acertadamente de que Fidélis foi o incompreendido, pois pureza fraterna igual a dele vi em pouquíssimas pessoas.

Um dia, quando uma nuvem negra pairava sobre minha cabeça, Fidélis cuidou de soprá-la para bem longe e, afetuosamente, me disse que o amanhã logo chegaria porque um outro dia sempre chega para dissipar nuvens carregadas de tempestades. Com uma das mãos pousada em meu ombro ele me sacudiu levemente e sorriu.

Naquele gesto de palavras inaudíveis, a sensibilidade dele me disse algo que até hoje me faz prosseguir. Aprendi que é preciso caminhar de cabeça erguida, independentemente das nuvens tempestuosas que, volta e meia, insistem em querer nos intimidar.

Quanto vale um amigo como Fidélis, feito de verdades incontestáveis?

Hoje, ainda com a canção de Renato Russo invadindo o mais nobre sentimento, me sentei na varanda de casa e senti o sol como um afago de quem pode agradecer por dias de paz previstos pelo amigo Fidélis.

Que os anjos soem para esse guerreiro, defensor incondicional da sociedade baiana, as 21 trombetas de boas-vindas na entrada do paraíso e que, por lá, um céu carregado de nuvens chore de alegria pela sua chegada. [Crônica de Edelvânio Pinheiro. Interpretação: Jan Santos]

OUÇA a crônica do jornalista e militar Edelvânio Pinheiro interpretada pelo jornalista Jan Santos:

 

Arte produzida a partir de vídeo da Apratef.