Connect with us

News

Trova e selo zarfeguianos para celebrar os 100 anos da chegada da Família Resende a Itanhém

Edelvânio Pinheiro

Publicado

em

[Por Edelvânio Pinheiro] O poeta e jornalista Almir Zarfeg encontrou uma maneira original de celebrar o centenário (1919/2019) da chegada da Família Resende à região rica de flora e fauna que viria a se chamar Água Preta, Nossa Senhora de Itanhém e, finalmente, Itanhém em 14 de agosto de 1958 com a emancipação político-administrativa.

João Resende e José Resende, pai e filho, mais dois ajudantes chegaram provavelmente na estação de verão, vindos de Araçuaí, município mineiro do médio Jequitinhonha. Vieram decididos a encontrar terras férteis para desbravar, assentar moradia, plantar, criar e empreender.

“Enfim, o projeto deles era, uma vez localizada a área, tomar posse dela, povoá-la e extrair dela o sustento da família”, informou Zarfeg à reportagem do portal.

As terras eram devolutas e quem chegasse primeiro e as desbravasse seria considerado dono delas de fato. Assim aconteceu com os Resendes, os Motas, João Roxo, Simplício Binas e outros tantos aventureiros.

Guiados pelo curso dos rios, córregos e riachos, João e José chegaram ao ponto que consideram ideal, a saber, as margens de um córrego, terra fértil e tendo uma pedra grande como referência. Aí decidiram ficar e desmatar, como forma de reconhecimento e posse do local. Voltaram para sua terra de origem a fim de providenciar a mudança definitiva para o extremo sul da Bahia, na divisa com Minas Gerais, para começar vida nova onde está localizada a Fazenda Pedra Grande, hoje dividida entre os herdeiros dos desbravadores Resendes.

Passados alguns meses, João Resende retornou para tomar posse das terras que havia demarcado e desbravado, acompanhado da sua 2ª mulher, Maria, também chamada de Santinha, já que a 1ª mulher – Bruna Maria de Jesus – havia falecido. Bruna deu à luz os primeiros rebentos como José e Maria Resende.

João Resende ainda seria pai de Avelino, Joaquim, Sebastião, Inácio, Joana e Donato Resende. Sua esposa Maria viria a falecer em terras baianas, muito nova, em virtude das precárias condições de vida, em que as doenças tropicais alastravam e inexistiam recursos sanitários e médicos.

O desbravador João chegou a morar na localidade dos Bertos, hoje Bertópolis, do lado mineiro, juntamente com o filho Sebastião. Nessa região, também conhecida como Vale do Umburana e àquela altura já povoada, ele ficou com a saúde fragilizada por causa de uma infecção no pé, provocada supostamente por um espinho de cobra.

Em seguida, o desbravador pai seria resgatado pelos filhos e trazido numa cama para o seio da família, para receber atenção e cuidado. Ele veio a falecer em maio de 1947 e seu sepultamento coincidiu com o famoso eclipse solar do dia 20 daquele mesmo mês e ano, convertendo dia em noite. A ocorrência natural deixou os moradores amedrontados e temerosos, já que não dispunham de explicação racional para tal fenômeno.

Com o falecimento de João Resende, o comando da família passou para José Resende, filho mais velho e sobre quem, portanto, cairia toda a responsabilidade para cuidar das terras, criações, irmãos e irmãs e, também, da sua própria prole.

O primogênito José Resende já havia contraído núpcias com Virgínia Rodrigues da Silva, também natural de Araçuaí, com quem teve Augusto, Otevaldo, Alzira, Modesta, Rosarinha, Altina, Aurita, Joelita, Augusta, Alice e João Resende Neto. O casal ainda adotou Esmeralda Merinha, tratada por todos como irmã e com direitos assegurados como os demais filhos.

“Com a morte do pai João, o filho José assume o controle dos negócios e da família e, a partir daí, o clã dos Resendes conquista não só a admiração de todos, mas também prestígio e destaque sociais”, pontuou Zarfeg.

Graças à liderança familiar e moral de José Resende, seus irmãos e irmãs foram tocar a própria vida, constituindo família e cuidando dos próprios interesses. O clã cresceu e se multiplicou. A importância dele proporcionalmente.

José Resende, que viria a falecer em 14 de julho de 1998, hoje é nome conhecido e respeitado pelos itanheenses. Foi compadre e parceiro de Sady Teixeira Lisboa, ocupou o posto de juiz de paz – por causa da vocação para o diálogo, para a concórdia e para a paz – lançando mão da autoridade e seriedade que as circunstâncias exigiam.

“Tanto o pai, João, quanto o filho, José, contribuíram de maneira decisiva com a força física, desbravando, e com a hombridade de que eram portadores. Por isso, merecem todo nosso respeito, consideração e homenagem”, disse Zarfeg, sempre disposto a desenvolver ações em prol dos vultos da história local, como Sady Teixeira, José Henrique, Simplício Binas, Dolírio Rodrigues, Jota Pires, Antero Santana, Gedeon Botelho, Manezim do Gavião e tantos outros nomes já falecidos.

Por tudo que fizeram e representam para Itanhém e para a região, os Resendes foram homenageados com nome de vila, córrego, praças, ruas, escolas e até o patronato literário, já que José Resende é patrono da Cadeira 25 da Academia Teixeirense de Letras (ATL), da qual é titular o artista plástico itanheense João Faustino, o popular João Grilo.

“No caso da Família Resende, e de tantas outras que ajudaram a construir a história de Itanhém, passado, presente e futuro se fundem, dando origem a uma realidade maior, simbólica e grandiosa, que está acima do tempo e do espaço, mas que continuará habitando nossos corações e nos impulsionando a seguir em frente”, comentou Zarfeg, que é itanheense e preside a ATL.

Neste sábado, 4 de janeiro, a Família Resende vai se reunir para homenagear os santos Reis Magos, que visitaram o recém-nascido Menino Jesus, repetindo uma tradição católica que o clã abraçou para si há décadas.

Na oportunidade Joelita Resende, filha de José Resende e anfitriã da festa, será homenageada com um certificado concedido pela Academia Teixeirense de Letras (ATL) e pela Câmara Municipal de Itanhém (BA). Todos – parentes e amigos – são bem-vindos.

Selo comemorativo com destaque para a pedra grande, a sede da fazenda e a placa do rio com o nome da família. As cabras remetem ao brasão dos Resendes; o amarelo ouro ao pasto e o jequitibá, à esq., à ideia de centenário.