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Um dos olhos de dona Maria já está irreversivelmente mergulhado na escuridão

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[Crônica de Edelvânio Pinheiro]

Dona Maria já chorou demais.

Aos 51 anos ela tenta compreender a marcha, porque enxergar bem a estrada ela já não consegue. Está cega de um dos olhos e o outro está na penumbra.

Suas mãos já cansadas da labuta, não faz muito tempo que defendeu o que acreditava ser o melhor para o município de Itanhém, onde vive. Nas praças, ruas ou onde quer que fosse, no meio da multidão, lá estava mais uma filha esperançosa da terra de Água Preta.

Dona Maria teve pressa. Levantou o mais alto que pode a bandeira da atual administração, que tremulou entre sorrisos e lisonjas, tão comuns nas épocas de eleição. Ela não imaginava, porém, que fora do palco eleitoreiro, ela seria igual a tantos outros, facilmente esquecidos.

As eleições passaram e a então candidata já não mais se lembra da casinha simples de dona Maria, lá no final da Rua Esperança, no bairro Monte Santo. Não se lembra também do cheirinho bom do café e do bolo que a ilustre visita fez questão de compartilhar. A prosa, intercalada de promessas feitas olho à olho, foi jogada ao vento.

Dona Maria agora anda devagar. Ao lado da sobrinha ela já correu quilômetros para não perder a visão. Há oito meses elas caminham juntas em busca de socorro.

E, acreditando que era “preciso chuva para florir”, elas bateram à porta da Justiça, contou a triste história, mas os 20 mil reais já não podem mais reverter o quadro, porque um dos olhos já está irreversivelmente mergulhado na escuridão.

Agora dona Maria toca os dias, mas não tem paz pra poder sorrir. Ela tem medo que a luz do outro olho seja também apagada pela omissão da prefeita.

Nessa longa jornada de promessas, esquecimentos e omissões – mestre Almir Sater – dona Maria pode perder o maior de todos os direitos, que é o de enxergar a fogueira da vida, que todos os dias se acende.

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