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Zarfeg discorre sobre o livro “Nós e outros poemas”, de Rodrigo Starling

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[Almir Zarfeg] Só recentemente tomei conhecimento da existência do poeta e filósofo Rodrigo Starling e, por consequência, de parte de sua produção.

Soube dele primeiro pelas redes sociais e, depois, nos aproximamos graças à publicação de “Cem poemas, cem mil sonhos”, livro que ele organizou e editou e do qual eu participo com os poemas “A mentira” e “A coisa”. A obra é uma homenagem aos 50 anos da Passeata dos Cem Mil, considerada a maior manifestação popular contra a Ditadura Militar no país.

Pois bem, entre os exemplares de “Cem poemas, cem mil sonhos”, que me chegaram semana passada via Correios, estava um exemplar autografado por Starling a mim de “Nós e outros poemas”, 5º livro de poemas que o autor publicou em 2010.

O que se segue são as impressões que o grande livro, com pouco mais de 20 poemas, provocou em mim. Li e reli o opúsculo, mas, mesmo o lendo nos próximos anos, ainda assim não serei capaz de dar conta de toda a riqueza literária que traz consigo e que semeou na poesia brasileira deste início de Terceiro Milênio. Sem dúvida, é uma obra-prima da poesia mineira e, talvez, nacional desses tempos escuros.

Discorramos sobre autor e obra, portanto, ainda que de maneira provisória e sob os efeitos das emoções da última noite.

O livro em questão não apresenta altos e baixos, como costuma acontecer com todo e qualquer poeta. A obra nos brinda com altos porque Rodrigo Starling não é qualquer poeta nem um poeta qualquer. Trata-se de um poeta completo e complexo que, de posse do lirismo, religião, política, filosofia e muita intertextualidade, deixa seus leitores completamente desnorteados. Aqui me refiro aos leitores experimentados, não aos ledores de primeira viagem.

Todos os poemas – uns curtos, outros médios e a maioria extensa – me pegaram de jeito como um cruzado certeiro, mas o destaque vai para os textos “Nós”, “Poema”, “Negro vestido, costas à mostra”, “O Amor”, “Compêndio lírico”, “Cansei”, “Eujaculatórias”, “29”, “Lusantropofagias” e “BH Flâneur”. Mas já assumi o compromisso comigo de apreciar, de per se, cada poema do livro, numa releitura vagarosa e completa.

Mesmo porque, caros internautas, a obra oferece pirâmides poéticas cuja leitura demanda leitores prontos e abertos à recepção estética, como coautores mesmo, num exercício permanente de cumplicidade autor/leitor, à maneira proposta pelo saudoso Umberto Eco.

Porque estamos diante de um poeta inspirado, multifacetado, dado à experimentação linguística e dono de uma riqueza lírica, metafórica e metalinguística notável e desafiadora. Cativante e perturbadora. Enfim, literatura à prova de amenidades.

Obviamente que Rodrigo Starling, a quem costumo chamar de Star, me remete a outro poeta mineiro relevante, Wilmar Silva, cuja exuberância lírica e carpintaria poética admiro desde os tempos da ASBRAPA.

Como artista consciente da importância da tradição e das vanguardas, porém, Star bebeu em muitas fontes, como se nota à primeira leitura de “Nós e outros poemas”. Não lhe escapam os grandes expoentes da poesia nacional e internacional, sobretudo os simbolistas, com os quais dialoga, troca figurinhas e influências, numa antropofagia para lá de nutritiva.

No poema “Lusantropofagias”, por exemplo, o poeta não se faz de rogado e diz com todas as letras: “Só o acordo nos une. Linguisticamente”. Porque, afinal, “nem tudo é deglutível”. Isso mesmo, meninos e meninas, Star é muito mais seletivo que o bom e velho Oswald de Andrade.

A seguir, enumera uma cesta de alimentos que, embora salutares, não estariam saciando a fome estética adequadamente: cantigas de amigo, amor e escárnio (posto que rimadas); as gestas épicas e hagiográficas ou as alianças épico-líricas do cancioneiro português; as poéticas-ventre de Sá de Miranda, Ferreira, Vicente ou Camões; o erotismo de Bocage; nem mesmo o amor eterno de Garret, Leal e Cesário Verde, etc.

Em contrapartida, Star convoca à união todos os antropófagos do mundo: “Uni-vos”. E filosofa sem meias palavras: “Tudo que é sólido… desmancha no mar”.

Em seguida, libera os seguintes víveres para serem devorados à saciedade: Florbela Espanca, Fernando Pessoa e os três heterônimos (Campos, Reis e Caeiro), toda a Geração de Orpheu, Sá de Carneiro, as Clepsidras de Pessanha, Almada Negreiros, Miguel Torga, a lira de Coimbra…

Os poetas franceses modernos, como Baudelaire, e contemporâneos, como Rimbaud, muito mais que figurantes em “Nós e outros poemas”, são habitués ilustres com direito a estada na opus e no locus starlinianos: habitam sua obra e atormentam seu coração.

Em “Consoantes”, Star não só dialoga com Rimbaud como faz dele a razão de ser e estar formais do poema. Já no belo e denso “BH Flâneur”, é possível (não provável) senti-lo passeando de mãos dadas com Baudelaire pelas ruas da capital mineira. Com um pouco de esforço é possível vislumbrar, também, o gauche drummondiano no footing noturno.

Que pobre Starling, que nada! O poeta é admirável e nós, cidadãos do campus, iguais e irmãos, lhe desejamos vida longa e criativa. Com as bênçãos de Nossa Senhora.

Leia entrevista com Rodrigo Starling aqui.

Conheça alguns poemas de Rodrigo Starling aqui.

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Ponte está caída há quase dois meses em Itanhém, deixando produtores rurais sem saída

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Uma ponte continua caída na zona rural do município de Itanhém quase dois meses depois, deixando produtores rurais sem saída. A ponte ficava sobre o rio Água Fria, próximo ao povoado de Curvelo da Conceição.

No dia 28 de maio a ponte de madeira desabou no momento que o caminhão 1113, cor branca, placa MPF 5163, licenciada em Itanhém, transportava areia. As Imagens feitas na ocasião mostraram que o madeiramento de sustentação da ponte estava apodrecido. Veja reportagem aqui.

A secretaria de Infraestrutura, que é responsável pela mobilidade do município, é comandada pelo fazendeiro Newton Pinheiro, que é irmão da prefeita Zulma Pinheiro e também secretário da Administração e Finanças.

Desde o último dia 28 de maio esta ponte está caída na zona rural de Itanhém.

Relembre:

Caminhão cai em ponte de madeira em Itanhém

Ponte desaba em Itanhém e caçamba cai dentro de córrego

Prefeita deve culpar Bentivi, mas ele construiu e recuperou mais de 50 pontes em sua administração

Ponte pode cair a qualquer momento em Itanhém na divisa com Minas Gerais

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Prefeita desafia com três novas nomeações, mas juiz determina eleição e mantem diretores e vice-diretores anteriores nos cargos

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Nesta terça-feira (16), o juiz Argenildo Fernandes deferiu liminar pleiteada pela APLB (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia), determinando que a prefeita de Itanhém, Zulma Pinheiro (MDB), no prazo de 24 horas, publique edital de convocação para que sejam realizadas eleições de diretores e vice-diretores da rede municipal de ensino.

O magistrado determinou ainda que a eleição deve ocorrer no mesmo sistema já aplicado em eleições anteriores e, além disso, manteve nos cargos os mesmos diretores e vice-diretores do último exercício, até que ocorra a eleição determinada pela justiça, sob pena de multa diária e pessoal de R$ 5 mil reais.

Com esta decisão nenhuma das 19 nomeações feitas pela prefeita até agora para ocupar cargos de diretores e vice-diretores tem validade.

Na semana passada o mesmo juiz já havia suspendido os efeitos de 17 decretos de Zulma Pinheiro (MDB), publicados no último dia 10, nomeando diretores e vice-diretores das escolas do município, em descumprimento à decisão da Justiça, que havia cancelado a Lei Municipal nº 207, de 16 de abril de 2019, que acabava com a eleição de diretores nas unidades de ensino. Veja reportagem aqui.

Apesar disso, nesta segunda-feira (15), a prefeita desafiou a Justiça e nomeou mais três diretores: Erleio José Vital para a Escola Municipal Castro Alves, Sirleide Alves Muniz para a Escola Municipal João Lopes de Ângelo e Tânia Maria Meira Carvalho Catáberiga para o Educandário Professor Carlos Correia de Menezes Sant’Anna.

No final da tarde desta terça o coordenador da APLB em Itanhém, Marco Antônio Pires dos Santos, convocou uma assembleia extraordinária, na ABB Comunidade onde os profissionais da educação tomaram conhecimento da decisão judicial.

Em reunião nesta terça APLB comunicou aos professores da decisão judicial.

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Sem acesso à saúde para cuidar de irmão doente aposentada se vê obrigada a ir embora de Itanhém

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A semana começou com mais uma família indo embora da cidade de Itanhém.

Cada pessoa que se vê obrigada a abandonar sua terra natal, na verdade, não desejaria nunca deixar para trás amigos, conterrâneos e principalmente outros familiares. O motivo alegado por quase todas as famílias que deixam a cidade é a falência do município.

A aposentada Maria D’Ajuda Jesus de Oliveira, 61 anos, sua filha, seu irmão e sua neta, a partir deste domingo (14), são moradores da vizinha cidade de Medeiros Neto. Um caminhão azul encostou logo cedo na casa de nº 644, na Rua Dois de Julho, no bairro São João e levou a mudança.

A casa é própria, mas a necessidade de cuidar do irmão, de 53 anos e com problemas neurológicos e mentais, obrigou Maria D’Ajuda ir embora. O irmão dela exige cuidados médico constante e não tem como cuidar dele numa cidade em que a saúde está praticamente numa UTI.

“Eu estou indo embora por causa da saúde péssima que está em Itanhém, aqui não temos um agente de saúde, não temos um médico no nosso posto, procura um remédio não tem, além de tudo é o maior sofrimento porque eu tenho um irmão doente em casa e não tem atendimento”, desabafou.

Na sala da casa de Maria D’Ajuda, um adesivo de Mildson Medeiros, candidato a prefeito nas eleições passada, não deixa dúvida em quem ela apostou todas as suas fichas para que Itanhém não se tornasse um município caótico como o que hoje se vê.

Mas, apesar das dificuldades que vem enfrentando Maria D’Ajuda continua esperançosa.

“Só voltarei aqui, se Deus quiser, no dia da política para votar no missionário Marcos e Mildson Medeiros, pela fé que tenho em Deus”, afirmou. “Se eles não ganharem a cidade estará acabada”.

Na sala da casa de Maria D’Ajuda, um adesivo de Mildson Medeiros, em quem ela sempre acreditou por melhorias em sua cidade.
O irmão de Maria D’Ajuda exige cuidados médico constante.

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